
O Brasil se despede de um dos maiores ícones de sua história cultural. A atriz Laura Cardoso morreu na noite desta segunda-feira (17), aos 98 anos, em sua residência no bairro do Sumaré, Zona Oeste de São Paulo. De acordo com sua filha, Fátima Cardoso, a artista passou mal por volta das 23h20 e não resistiu.
Nome fundamental para a consolidação do audiovisual no país, Laurinda de Jesus Balleroni nasceu em 1927 e iniciou sua jornada artística precocemente, aos 15 anos. Sua estreia no veículo que a consagrou ocorreu em 1952, no programa Tribunal do Coração, da extinta TV Tupi. Ao longo de mais de sete décadas de dedicação à atuação, Laura ostentou o título de atriz com maior número de produções no currículo nacional, somando mais de 60 novelas, além de vasta presença no cinema e no teatro.
Uma trajetória de personagens inesquecíveis
Após ingressar na TV Globo em 1981 na novela Brilhante e ser contratada dois anos depois durante as gravações de Pão-Pão, Beijo-Beijo, a atriz enfileirou papéis que entraram para a memória afetiva de milhões de brasileiros. Em 1993, deu vida à marcante Dona Isaura, mãe das gêmeas Ruth e Raquel na segunda versão de Mulheres de Areia. No ano seguinte, brilhou como Dona Guiomar no clássico A Viagem.
Sua capacidade de trânsito entre o drama, a comédia e os papéis mais densos resultou em atuações memoráveis também em Felicidade (1991), Como Uma Onda (2004), Sol Nascente (2016) e O Outro Lado do Paraíso (2017). Suas aparições finais nas telas foram na novela A Dona do Pedaço (2019) e no longa-metragem Dona Rosinha (2025).
A contribuição extraordinária para a arte rendeu a Laura Cardoso as principais honrarias do meio artístico, incluindo cinco troféus da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), o Prêmio Oscarito no Festival de Gramado e a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo governo federal em 2006.
Legado e homenagens
Na vida pessoal, a atriz viveu um duradouro casamento com o ator e diretor Fernando Balleroni entre 1949 e 1980, ano do falecimento do companheiro. Do matrimônio nasceram os filhos Fátima, Fernanda e José — este falecido precocemente poucos dias após o nascimento. Reclusa para novas uniões afetivas desde então por considerá-lo o grande amor de sua vida, a veterana deixa filhas, netos e bisnetos.
A partida da artista mobilizou classe artística e fãs. Em homenagem publicada nas redes sociais na madrugada desta terça-feira, o ator e diretor Miguel Falabella, parceiro de cena em A Viagem, resumiu a grandeza do talento da colega de profissão: “Laura era gigante, compulsiva e tinha um talento que não cabia em seu corpo pequeno”.
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