
A recente decisão do Corinthians de estrear o Brasileirão na Vila Belmiro, e não no Pacaembu, simboliza uma mudança profunda no cenário do futebol paulista: o antigo “estádio de todos” perdeu espaço para a casa do rival Santos como opção preferencial para grandes clubes em busca de um mando de campo alternativo.
A queda do Pacaembu
Por décadas, o Pacaembu foi a principal alternativa aos estádios próprios, funcionando como uma “segunda casa” para os grandes clubes. No entanto, sua última reforma, que substituiu o gramado natural por sintético e reduziu drasticamente sua capacidade (de cerca de 37 mil para pouco mais de 25 mil espectadores), o tornou uma opção pouco atrativa.
O piso sintético é o maior entrave. A maioria dos clubes de elite e seus jogadores, como Memphis (Corinthians) e Lucas Moura (São Paulo), preferem e se habituaram ao gramado natural. Além disso, a baixa capacidade compromete a rentabilidade dos jogos, já que a receita da bilheteria precisa cobrir altos custos de aluguel e operação.
A ascensão da Vila Belmiro
Nesse vácuo, a Vila Belmiro emergiu como a solução mais viável. O São Paulo foi pioneiro nesse movimento, alugando o estádio santista em 2023 e 2025 quando o Morumbi estava indisponível. A experiência foi bem-sucedida: o tricolor mantinha a proximidade com a capital (1h30 a 2h de viagem), ganhava um campo natural e o Santos lucrava com o acordo.
Agora, em 2026, o Corinthians seguiu o mesmo caminho, trocando a Neo Química Arena com o Santos para jogar na Vila. A decisão, motivada pela logística da Supercopa, consolida a percepção de que a casa do Peixe oferece hoje uma combinação mais vantajosa: gramado natural, localização aceitável e estrutura consolidada para o futebol.
Palmeiras: a exceção que confirma a regra
O Palmeiras, que também joga em sintético, poderia ser uma exceção. No entanto, o clube tem um acordo mais cômodo e financeiramente vantajoso com a Arena Barueri dado que Leila Pereira e sua empresa gerem a arena.