
A Câmara Municipal de São Caetano do Sul aprovou, na noite desta terça-feira (08/09), a abertura de uma comissão processante contra o vereador Getúlio de Carvalho Filho, conhecido como Getulinho (União Brasil). Em uma votação marcada pelo clima tenso, o plenário deu sinal verde à investigação por 19 votos a 2. Somente os parlamentares Olyntho Voltarelli e Bruna Biondi se posicionaram contra a admissibilidade do pedido.
A denúncia, protocolada no último dia 4, possui 70 páginas e é assinada por Wilson Russo Piotto — advogado e ex-chefe de gabinete do próprio parlamentar entre julho e outubro de 2025 — e pelo servidor municipal Geová Ferreira de Oliveira Braz. A representação acusa Getulinho de quebra de decoro parlamentar, conduta incompatível com o cargo, abuso de prerrogativas e desrespeito a protocolos de saúde pública.
Irregularidades em hospital e condenações judiciais
Entre os pontos centrais do dossiê lido integralmente no plenário, está um episódio ocorrido em 1º de janeiro de 2026. Segundo os denunciantes, Getulinho invadiu a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Emergências Municipal Albert Sabin sem o uso da paramentação adequada de biossegurança, colocando em risco pacientes internados na unidade.
O documento também anexa duas condenações do vereador em primeira instância na Justiça de São Caetano. A primeira refere-se aos crimes de difamação e injúria contra a servidora municipal Patrícia Carolina Casadei Arroio, com sentença emitida em outubro de 2025. A segunda aponta condutas de calúnia, injúria e difamação praticadas contra Geová Ferreira, um dos autores da representação.
Ataque da tribuna e trâmite regimental
Para viabilizar a leitura e tramitação da matéria, Getulinho foi temporariamente substituído em plenário pelo segundo suplente do partido, Ubiratan Figueiredo. Durante o uso da palavra, no entanto, o parlamentar em primeiro mandato adotou um tom incisivo e rebateu os colegas de Parlamento.
Após o recebimento da denúncia ter sido aprovado, foi sorteada a comissão processante dentre os vereadores desimpedidos, sendo que tanto Getúlio Filho como Ubiratan não participaram do sorteio. A comissão será formada pelos vereadores Cicinho Moreira (PL), presidente; Bruno Vassari (PSB), relator; e Welbe Macedo (PSB), membro.
A comissão terá um prazo de 90 dias para conduzir os trabalhos, colher provas e apresentar um relatório final. Caso as infrações político-administrativas sejam confirmadas pelo plenário ao término do período, Getulinho perderá o mandato e poderá ficar inelegível por até oito anos.
Recorrência no Legislativo
O caso de Getulinho representa o segundo processo do gênero instaurado na Câmara de São Caetano nos últimos seis meses. Em 26 de maio, a Casa abriu uma comissão processante contra Matheus Gianello (PL), acusado de manter assessores fantasmas e um gabinete paralelo. Gianello optou por renunciar ao cargo em 28 de agosto, dias antes da sessão que julgaria a cassação do seu mandato.
