
O cenário político de São Caetano do Sul dá sinais de reconfiguração após o acirrado pleito municipal de 2024. O prefeito Tite Campanella (PL) comentou sobre a relação e o recente encontro com seu principal adversário nas urnas, Fábio Palacio (União Brasil), apontando que as divergências ficaram restritas ao período eleitoral.
Ambos estiveram presentes na mesma reunião na última semana, em um ato de apoio à pré-candidatura do ex-prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (MDB), à Câmara dos Deputados. O alinhamento em prol da pré-campanha de Morando proporcionou a primeira grande convergência pública entre as duas lideranças após a disputa municipal.
Segundo colocado na eleição do ano passado com 28.330 votos (27,75%), Fábio Palacio — que atualmente exerce o cargo de Gestor de Governo Digital em Diadema — já havia indicado um tom conciliatório em declarações anteriores à imprensa, ressaltando que torce pelo sucesso de Tite no comando do Palácio da Cerâmica.
Questionado sobre o reencontro e a convivência no mesmo palanque, Tite utilizou uma clássica metáfora política para sintetizar a volatilidade das alianças. “Como Tancredo Neves dizia, política é que nem nuvem: você olha para o céu, tá de um jeito; você abaixa a cabeça, quando olha de novo, tá de outro jeito. A oposição vem e vai, a situação vem e vai. Isso tudo é circunstância política”, declarou o prefeito.
Tite relembrou a trajetória compartilhada com Palacio nos quadros da Câmara Municipal. “Fui vereador com o Fábio no começo dos anos 2000, a gente se conhece e não há animosidade nenhuma. Como ambos temos proximidade com o Orlando [Morando] e vamos trabalhar por ele, acabou acontecendo de estarmos juntos, sem nenhum problema”, afirmou.
Ao ser indagado pelo ABCD Jornal sobre a possibilidade de uma aproximação política mais consistente, o prefeito não poupou elogios ao antigo rival. “O Fábio é um cara jovem, preocupado com a cidade, já foi vereador várias vezes e pleiteou a prefeitura. Você não pode descartar uma pessoa com o preparo e a capacidade que ele tem”, completou Campanella, deixando as portas abertas para novos diálogos na política sul-são-caetanense.

