
As influenciadoras brasileiras trans Mariana Alves, conhecida como Malévola, de São Bernardo, e Bruna Mercatelli desembarcaram na noite desta quinta-feira (22) no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, após passarem dois dias presas em Alexandria, no Egito. Acusadas pelas autoridades locais de “comportamento obsceno” e assédio por gravarem vídeos em vias públicas, as duas foram soltas mediante o pagamento de uma fiança total de R$ 8 mil (R$ 4 mil para cada uma, o equivalente a cerca de 40 mil libras egípcias) e retornaram ao país.
A chegada ao Brasil foi marcada por um misto de alívio, revolta e desabafos sobre os momentos de tensão vividos sob custódia policial. Em declaração concedida na chegada, Malévola descreveu as condições precárias a que foram submetidas e denunciou ter sido vítima de transfobia e abusos por parte dos agentes egípcios.
“A gente tá sem celular, a gente não teve acesso a comida, a gente não teve acesso a água… foram 24 horas numa sala, sentadas numa cadeira de ferro ali em Alexandria”, relatou Malévola. “Tive de ficar pelada para eles verem meu órgão genital. Só assim para me tratar bem porque eles viram que eu era mulher. A gente foi humilhada, a gente foi tratada como lixo.”
Ações diplomáticas e denúncias de transfobia
Diante dos relatos, a defesa das influenciadoras informou que pretende acionar o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e órgãos internacionais para apurar a conduta das autoridades no Egito e buscará canais diplomáticos e comissões internacionais de direitos humanos e da população LGBTQIA+ para investigar o caso.
Embora o Egito possua legislações severas contra “atos escandalosos em vias públicas” e “publicação de material imoral”, a transfobia não é tipificada como crime no país africano. Segundo a defesa, o suporte da Embaixada brasileira em Cairo foi fundamental para intermediar as negociações de soltura.
Repercussão nas redes e declaração política
Antes do desembarque, ainda durante a escala de viagem em Marrocos, Malévola gravou vídeos visivelmente abalada, relatando crises de ansiedade e pânico decorrentes da abordagem policial.
Posteriormente, ao comemorar a recuperação do passaporte e a autorização para deixar o continente, a influenciadora adotou um tom mais provocativo em suas redes sociais. Ela minimizou a quantia gasta na liberação e aproveitou para se manifestar sobre as eleições no Brasil:
“4 mil de fiança pra mim não é nada, foi troco de pão”, declarou. “Domingo é 13, Lula! Tô chegando, Brasil!”, completou a influenciadora, reafirmando seu apoio ao candidato do PT no segundo turno do pleito.
Já em solo brasileiro e acompanhadas por amigos no aeroporto, Malévola e Bruna afirmaram que não pretendem retornar ao Egito sob nenhuma hipótese e destacaram o carinho recebido pelo público local como ponto forte do reencontro com o país.
