
O excesso de candidaturas lançadas em São Bernardo do Campo para o pleito deste ano acendeu um alerta no cenário político local. Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (24/09), o ex-prefeito do município Wiliam Dib avaliou a conjuntura eleitoral e cravou: nenhum candidato conseguirá garantir uma cadeira no legislativo contando exclusivamente com o eleitorado são-bernardense.
De acordo com o ex-gestor, a grande quantidade de postulantes dividirá expressivamente a votação local, o que exige uma mudança de estratégia nas campanhas para garantir a eleição de representantes da região.
“A minha visão é que, em São Bernardo especificamente, ninguém conseguirá ser eleito com os votos de São Bernardo. Todos os eleitos vão ter que trazer votos de outras cidades do ABC, da Capital, do interior, do litoral. São Bernardo, com o volume de candidatos que existe, não há possibilidade de nenhum deles serem eleitos só com os votos da cidade”, declarou Dib.
Apelo por consciência regional
A divisão do eleitorado foi apontada como o principal obstáculo para a manutenção e ampliação das bancadas do Grande ABC tanto na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) quanto na Câmara dos Deputados, em Brasília.
O ex-prefeito convocou a população a engajar no pleito e priorizar nomes ligados às cidades vizinhas para evitar que a região perca força política.
“Nós precisamos fazer com que o eleitorado compareça e vote em um candidato do ABC. O volume de candidaturas é muito grande, então precisamos aumentar a nossa concepção de votar na região. É o único jeito de aumentar a bancada”, enfatizou o ex-prefeito.
Apesar do risco de dispersão, o político demonstrou otimismo quanto ao resultado das urnas: “Nesta eleição tá havendo muita candidatura no ABC. Pode dividir muitos votos e não eleger ninguém, mas pode aumentar — e eu vou torcer para que aumente a representação do ABC tanto na ALESP como na Câmara Federal.”
Críticas a propostas de Constituinte e excesso de leis
Além do panorama local, o ex-prefeito comentou o momento político nacional e a estabilidade das instituições democráticas no país, classificando como “hipocrisia” a tese de convocação de uma nova Assembleia Constituinte.
Para o ex-chefe do Executivo, o entrave do desenvolvimento brasileiro reside na burocracia e na sobreposição de normas jurídicas, e não na falta de uma Carta Magna.
“A nossa democracia de vez em quando dá umas balançadas, e nos últimos tempos balançando mais. Eu acho que é hipocrisia falar de Constituinte, porque o problema do Brasil não é legislação. O problema do Brasil é excesso até de legislação. Nós temos leis totalmente desnecessárias e extremamente burocráticas”, concluiu William Dib.
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