
Em um intervalo de apenas seis dias, o estado de São Paulo registrou dois crimes brutais envolvendo mulheres trans. As ocorrências, que chamam a atenção pelo requinte de crueldade e pela similaridade na dinâmica do abandono dos corpos, acenderam o alerta de entidades de direitos humanos e mobilizaram as equipes da Polícia Civil no ABC Paulista e no Litoral.
O primeiro caso ocorreu em São Bernardo do Campo, na sexta-feira (21/08), quando o corpo de uma mulher trans foi encontrado decapitado dentro de uma mala, em uma área de mata na Avenida Ângelo Demarchi. A suspeita levantada por Paulo Araújo, presidente da Casa Neon Cunha, é de que a vítima seja uma das pessoas assistidas pela instituição. O corpo apresentava próteses de silicone nos seios e a identificação oficial aguarda confirmação pericial.
Já na quinta-feira (27/08), o segundo crime foi registrado no Guarujá. Kayra Kamilly, de 33 anos, foi encontrada morta em um terreno baldio na Rua Cláudio dos Santos. O corpo da vítima apresentava sinais claros de violência, com lesão na região da cabeça compatível com esmagamento.

Semelhanças entre os casos
A análise cruzada das duas ocorrências revela padrões alarmantes na forma como as vítimas foram atacadas e ocultadas:
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Sinais de extrema violência e crueldade: Ambas as vítimas sofreram agressões letais severas e focadas na região superior do corpo — decapitação no caso de São Bernardo do Campo e esmagamento craniano no caso de Guarujá.
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Ocultação de cadáver em locais isolados: Nos dois episódios, os corpos foram desovados em áreas de difícil acesso ou abandonadas (uma área de mata e um terreno baldio cercado por muros), buscando dificultar a localização imediata.
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Estado de decomposição e odor: A localização das vítimas em ambos os episódios só ocorreu após o avançado estado de decomposição do corpo gerar um forte odor no entorno, alertando moradores e pedestres que acionaram as autoridades policiais.
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Investigação por equipes especializadas: Os dois homicídios foram registrados e encaminhados para apuração de divisões especializadas da Polícia Civil (Deic de São Bernardo do Campo e 3ª Deic / Delegacia de Homicídios de Guarujá).
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou que perícias foram realizadas nos dois locais e que diligências continuam em andamento para identificar a autoria dos crimes e esclarecer as circunstâncias de ambas as mortes.
