
A reconstituição baseada no depoimento de quatro testemunhas presenciais revela a dinâmica de horror que tomou conta das dependências da Bombril, na Avenida Marginal Direita Anchieta, em São Bernardo do Campo, no início da manhã deste sábado (1º/08). O ataque perpetrado por Claudio Henrique da Silva, de forma repentina e desmedida, deixou um rastro de sangue em diferentes pontos do setor operacional antes de culminar no suicídio do autor dentro da carceragem do 2º Distrito Policial.
Abaixo, os detalhes do crime reconstituídos a partir dos depoimentos das testemunhas contidos no registro policial.
O início silencioso e o primeiro corpo
Eram minutos antes das 6h da manhã. O turno da equipe estava prestes a começar, e diversos funcionários aguardavam o sinal para dar início às atividades.
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O primeiro choque: A testemunha J.S.C estava sentada preenchendo uma planilha quando percebeu movimentações e correria. Ao se afastar da área inicial, deparou-se com o corpo de José Guilherme Victoriano de Moura caído na entrada do banheiro, já sem vida e ensanguentado. Ninguém testemunhou o momento exato do ataque a Guilherme, que foi o primeiro atingido no trajeto do agressor.
A perseguição nas escadas e as frases de fúria
A sequência seguinte de agressões foi presenciada por múltiplos funcionários que chegavam para o expediente ou encerravam o turno da noite.
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Falso início de briga: M.C.M.S contou que viu Claudio caminhar em direção a Douglas de Souza. De início, imaginou tratar-se de uma briga passageira de socos, até ver Douglas começar a jorrar sangue.
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Fuga desajeitada: Douglas tentou escapar correndo em direção à escadaria que dava acesso ao corredor do andar de baixo. Durante a descida, a vítima tropeçou e caiu.
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Golpes incansáveis: Claudio alcançou Douglas no solo e continuou a esfaqueá-lo seguidamente. A testemunha W.G.MB. afirmou que Claudio desferia os golpes pelas costas e ainda chuta a cabeça da vítima, parando apenas quando percebeu que Douglas não demonstrava mais qualquer reação.
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“Mexeu com quem tá quieto”: Testemunhas relatam que, a cada facada dada em Douglas, Claudio repetia pausadamente e de forma fria: “Vai mexer com quem está quieto?” e “Vai tirar brincadeira comigo?”.
A tentativa de heroísmo de Edvaldo
Enquanto Douglas era atacado, o colega Edvaldo Santos Silva tentou conter o agressor de forma desesperada.
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A cadeira como escudo: Edvaldo pegou uma cadeira do setor e tentou arremessá-la/atingir Claudio para que ele soltasse a vítima.
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O golpe fatal: Ao se aproximar para intervir, Edvaldo foi atingido por uma estocada profunda no lado esquerdo do peito. Ele soltou a cadeira e tentou retornar subindo os degraus.
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Apelo final: A testemunha W. correu para socorrer Edvaldo e passou a fazer compressão no ferimento para conter o sangramento. Antes de desfalecer, Edvaldo implorou: “Me ajuda. Eu tenho dois filhos. Me socorre, pelo amor de Deus!”.

Procura por outros alvos e a ligação para o 190
Após deixar Douglas desacordado no chão, Claudio não demonstrou pânico imediato e passou a procurar por outros trabalhadores do setor de avaria.
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Ameaça a colegas: A testemunha F.S.S, que presenciava a cena de longe e gritava para Claudio parar, viu o agressor virar em sua direção e perguntar em tom ameaçador: “Cadê o Fúlvio? Ele não é brabão? Cadê você, Fúlvio? Cadê o cara da avaria?”.
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Corrida para a portaria: Percebendo que Claudio caminhava em sua direção, F. correu para os fundos da fábrica, encontrou Fúlvio e mandou que ele fugisse imediatamente. F. ligou quatro vezes para o número 190 do COPOM enquanto se dirigia à portaria principal para alertar os seguranças.

Renda-se e desfecho no plantão policial
Quando a primeira viatura da Polícia Militar (M06213) adentrou o local indicativo pelos funcionários, encontrou um cenário devastador:
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Localização das vítimas: José Guilherme próximo ao banheiro; Edvaldo no corredor superior; Douglas ao pé da escada. Os óbitos foram confirmados entre 6h38 e 6h42 pelo SAMU.
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Postura do autor: Claudio estava sentado a cerca de cinco metros do corpo de Edvaldo. Ele mantinha a faca em mãos e dizia que só a entregaria para a polícia. Quando os policiais militares deram ordem de prisão, ele jogou o objeto no chão e colocou as mãos na cabeça, rendendo-se sem reagir.
Duas facas usadas no crime foram apreendidas pela perícia técnica. Ouvidos na delegacia, os colegas descreveram Claudio como um funcionário “quieto, assíduo e que não dava trabalho”, afirmando nunca ter presenciado episódios diretos de bullying contra ele e levantando a hipótese de um grave surto psicótico.
Por volta das 8h30, enquanto os depoimentos eram colhidos pela Autoridade Policial no 2º D.P., agentes constataram que Claudio usou a própria calça para se enforcar na carceragem. Manobras de ressuscitação foram feitas imediatamente, mas o óbito foi atestado pela equipe médica às 8h30. O caso segue sob investigação da Polícia Civil e acompanhamento da Corregedoria.
