
O Sindicato dos Bancários do ABC encerrou, no início da tarde desta sexta-feira (17), o ato de abertura da Campanha Nacional 2026 na região. A manifestação, que aconteceu em frente à Igreja Matriz de São Bernardo do Campo, marcou também o fechamento de uma caravana de mobilização da FETEC-CUT/SP que durou mais de 20 dias e percorreu mais de 4 mil quilômetros por todo o estado de São Paulo.
Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Gheorge Vitti, o movimento desta manhã resultou na paralisação das atividades de 18 agências bancárias na região da Rua Marechal Deodoro, que retomaram o atendimento ao público logo após as 13h. O ato reuniu bancários do ABC e de bases vizinhas, como Guarulhos, Taubaté e Mogi das Cruzes, além do apoio de metalúrgicos, servidores públicos e vereadores locais.
Cláusulas econômicas e data-base
Com a proximidade da data-base da categoria, fixada em 1º de setembro, as atenções se voltam agora para as mesas de negociação com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos). As rodadas especificamente econômicas estão agendadas para acontecer ao longo do mês de agosto.
A pauta de reivindicações financeiras da categoria já está definida: os trabalhadores exigem a reposição integral da inflação acumulada até agosto mais um aumento real de 5% sobre os salários e benefícios.
Além dos salários: saúde, igualdade e o papel social dos bancos
A liderança sindical reforça que a campanha deste ano vai muito além do debate salarial. Barracas foram montadas no centro de São Bernardo para dialogar diretamente com pedestres e clientes sobre o impacto do fechamento de agências físicas pelo país.
Para o sindicato, a “digitalização forçada” promovida pelas instituições financeiras exclui as parcelas mais vulneráveis da população e eleva o risco de fraudes e golpes virtuais, tornando urgente a ampliação e manutenção da rede física de atendimento.
Outro ponto crítico levado às mesas de debate é a saúde mental dos trabalhadores. Diante de um lucro setorial que atingiu a marca de R$ 125 bilhões, os bancários relatam uma explosão de casos de depressão e ansiedade provocados pelo cumprimento de metas consideradas abusivas. A categoria cobra a implementação urgente de políticas de prevenção eficazes.
As negociações também avançam em eixos sociais. Enquanto a pauta de igualdade salarial entre homens e mulheres já começou a ser debatida em mesas temáticas, a rodada da próxima semana será dedicada exclusivamente à saúde do trabalhador. Na última mesa setorial, temas estruturais como o combate ao racismo, ao feminicídio e à homofobia, além de mecanismos de proteção às bancárias, integraram os debates.
Próximos passos: foco é o diálogo, não a greve
Apesar do forte tom de mobilização e das paralisações pontuais ocorridas nesta sexta-feira no ABC, Gheorge Vitti esclarece que o comando da categoria descarta, neste momento, o indicativo de greve ou de novas interrupções nos serviços das agências.
A estratégia atual prioriza a via diplomática e a valorização do processo de negociação com os bancos. O plano para as próximas semanas prevê a manutenção de conversas constantes nas bases, panfletagem de jornais informativos semanais e a construção de propostas unificadas que contemplem as prioridades dos cerca de 55 mil trabalhadores representados pelas frentes sindicais envolvidas.
