
A Toyota realizou no último sábado (20) uma cerimônia de despedida para marcar a produção do último Corolla na fábrica de Indaiatuba, no interior de São Paulo. O veículo percorreu um tapete vermelho e foi apresentado aos funcionários sob aplausos, encerrando um ciclo histórico iniciado em 1998.
A unidade foi responsável pela fabricação de mais de 1 milhão de exemplares do sedã e pioneira ao produzir os primeiros modelos híbridos flex do mundo. O encerramento definitivo das atividades em Indaiatuba está previsto para o dia 30 de junho.
A produção do Corolla será integralmente transferida para Sorocaba, onde a montadora inaugura uma nova planta em novembro. A mudança integra o robusto plano de investimentos de R$ 11 bilhões da Toyota no Brasil até 2030, com previsão de gerar cerca de 2 mil novos empregos.
O fantasma da reestruturação: o precedente de São Bernardo do Campo
A despedida de Indaiatuba não é o primeiro movimento drástico de centralização da montadora japonesa no país. O encerramento das atividades no interior relembra a histórica reestruturação iniciada pela Toyota anos atrás, quando a marca decidiu fechar sua fábrica em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
Anunciado em abril de 2022, o fechamento da unidade da Grande São Paulo carregou um forte peso simbólico: aberta em 1962, a planta de São Bernardo foi a primeira fábrica da Toyota fora do Japão.
A operação do ABC Paulista:
Inauguração: 1962 (com 60 anos de história até o anúncio do fechamento).
Funcionários: Cerca de 550 colaboradores na época do anúncio.
Foco: Produção de componentes essenciais que abasteciam a fábrica de motores de Porto Feliz (SP) — atendendo modelos como Etios, Yaris e Corolla — além da exportação de peças para o Camry nos Estados Unidos.
O processo de desativação em São Bernardo ocorreu de forma gradual, iniciando-se em dezembro de 2022 e sendo concluído em novembro de 2023. Na ocasião, a Toyota transferiu suas atividades do ABC para as unidades de Indaiatuba, Porto Feliz e Sorocaba sob a justificativa de buscar “mais sinergia entre suas unidades produtivas e maior competitividade frente aos desafios do mercado brasileiro”.
Ironicamente, a planta de Indaiatuba, que chegou a receber investimentos de R$ 50 milhões na mesma época, agora também se despede de sua linha de montagem, consolidando a estratégia da Toyota de concentrar suas principais forças no complexo de Sorocaba.
