Há conexões que desafiam a lógica dos resgates tradicionais e se revelam como verdadeiros reencontros traçados pelo destino. O filhote de quatro meses, que comoveu a região do ABC após ser covardemente amarrado e abandonado na calçada de uma clínica veterinária, voltou para os braços de quem primeiro lhe deu proteção. Após uma tentativa de adoção que esbarrou na incompatibilidade com outro animal da casa, o cãozinho retornou para a protetora independente Cláudia Rodrigues Costa Rios, fundadora do grupo SOS Pets ABC. O que parecia um retrocesso revelou-se, na verdade, a confirmação de um amor que nasceu no primeiro olhar.
Agora rebatizado como Jaafar, o filhote não é mais um animal à espera de um lar. Ele escolheu a sua dona. E Cláudia, apesar de todas as dificuldades financeiras e da rotina intensa de cuidados com seus filhos com deficiência (PCD), aceitou o chamado do coração.
Um “até logo” carregado de apego
A ligação entre Cláudia e Jaafar (então chamado de Ozzy pelo antigo adotante) ficou evidente desde a noite da adoção, na última terça-feira (9). Mesmo sabendo que o filhote havia encontrado um lar, a protetora relutou em entregá-lo na garagem do prédio devido ao forte apego que se formou em pouquíssimas horas de lar temporário.
“Existem certas conexões que são inexplicáveis, que fogem do normal de um resgate ou de uma ajuda animal. Eu acredito muito nisso. Acho que é o animal que escolhe a gente, não é a gente que escolhe o animal. E com ele foi bem assim”, reflete Cláudia.
Quando a devolução é um ato de amor e responsabilidade
Diferente da maioria dos casos que chegam às ONGs — onde tutores desistem de filhotes por falta de paciência com móveis roídos ou bagunça —, a devolução de Jaafar foi motivada estritamente pela segurança do próprio animal.
O adotante, Guilherme, relatou em comunicado enviado à ONG que Lizzie, a cadela labradora idosa da família e que sempre foi sociável, não aceitou o novo morador de forma alguma. Após episódios de quase agressão e o risco iminente de um ataque grave na ausência dos tutores, a família tomou a dolorosa, mas responsável, decisão de devolvê-lo.
“Quando a gente fala em devolver, parece uma coisa tão ruim, mas quando vamos entender o porquê, vemos que nem sempre é um absurdo. O tutor teve medo de a labradora atacá-lo. Em toda a minha trajetória, essa é apenas a segunda devolução que recebo”, explica a protetora, desmistificando o preconceito em torno do caso.
Desafios financeiros e pedido de solidariedade
Embora o destino tenha agido, a realidade prática impõe desafios de grande porte — literalmente. Jaafar crescerá bastante e Cláudia precisará adaptar sua casa, onde também residem inquilinos em uma edícula. No entanto, a preocupação mais urgente são os custos de saúde de um filhote resgatado das ruas.
Como o cãozinho não possui histórico médico, ele necessita passar por uma bateria completa de exames para verificar condições como anemia, além de cumprir o protocolo de:
- Vacinas iniciais;
- Castração;
- Exames de sangue;
- Antipulgas e vermífugos.
O antigo adotante se comprometeu a ajudar com uma parte dos custos e da ração, mas as despesas iniciais de um filhote são altas e pesam no orçamento de Cláudia, que já lida com os gastos fixos de seus filhos.
Para que essa história de amor e destino tenha um final plenamente feliz e saudável, a protetora busca o apoio da comunidade e de doadores que possam contribuir com os cuidados veterinários de Jaafar. Quem tiver o interesse em ajudar o SOS Pets ABC e o pequeno Jaafar nesta nova jornada pode entrar em contato diretamente com a rede de protetores independentes.
