
O que deveria ser uma entrega de rotina transformou-se em um episódio de revolta e registro policial no Centro de Distribuição (CD) das Casas Bahia, em Camaçari. Um motorista de São Bernardo do Campo (SP), prestando serviço para uma transportadora catarinense, arremessou quatro geladeiras para fora do caminhão na última quinta-feira (22), após aguardar quatro dias por um descarregamento que não ocorria.
O impasse logístico
O profissional relata que chegou ao local na segunda-feira, conforme o agendamento prévio. No entanto, o prazo não foi cumprido pela logística da unidade. Após 96 horas de espera sem previsões concretas ou posicionamento da empresa, o esgotamento físico e mental levou à atitude extrema.
Segundo relato, a responsabilidade pelo transtorno recai sobre a gestão do CD, isentando a transportadora contratante.
Condições precárias de higiene
A principal motivação para a revolta, contudo, vai além da demora. A infraestrutura, segundo motoristas, é precária oferecida aos trabalhadores que aguardam no pátio. Entre as queixas, destacam-se:
Banheiros insalubres: Falta de iluminação (obrigando motoristas a comprarem lâmpadas por conta própria) e ralos entupidos.
Falta de conforto básico: Água do chuveiro fria e a necessidade de usar paletes de madeira para evitar o contato com o chão inundado.
Presença de animais:
Relatos e registros de sapos dividindo o espaço do banheiro com os usuários.
“A revolta maior foi o fato de, no local disponibilizado para os motoristas, não haver estrutura. Tivemos que comprar lâmpadas para usar o banheiro e caminhar sobre paletes”, afirmou o condutor em depoimento.
Desdobramentos legais
A Polícia Militar foi acionada e um Boletim de Ocorrência foi registrado no local. O motorista, que teve seus dados colhidos e apresentou sua versão dos fatos às autoridades, reconhece o erro no descarte da mercadoria, mas ressalta que a situação de abandono no CD tornou a permanência insuportável.
Ele agora deve responder por danos materiais referentes às quatro geladeiras e, possivelmente, por danos morais. Até o fechamento desta edição, a assessoria da rede varejista não havia se pronunciado oficialmente sobre as condições de infraestrutura da unidade de Camaçari.
