
A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito policial para investigar as circunstâncias de uma pichação realizada na madrugada desta sexta-feira (23) no muro do Fórum de Santo André, localizado na Praça IV Centenário, no centro da cidade. O ato envolve frases de cunho político e a suspeita de financiamento por terceiros não identificados.
Por volta das 3h44, policiais militares em patrulhamento preventivo pelo Paço Municipal suspeitaram da atitude de um casal próximo ao edifício do Judiciário. Durante a abordagem, os agentes notaram que um dos suspeitos apresentava as mãos sujas de tinta. No local, a equipe constatou a pichação com os dizeres “Bolsonaro nunca mais” grafada no muro da repartição pública.
Os suspeitos foram identificados como a desempregada D.MS, de 38 anos, e o pintor D.Y., de 40 anos. Um terceiro homem, o motorista P.S.M, de 25 anos, também foi identificado como o responsável pelo transporte da dupla até o local do crime. Os três celulares dos envolvidos foram apreendidos.
Promessa de pagamento e intermediários
Em depoimento prestado no 02º Distrito Policial de Santo André, os abordados admitiram a autoria material do ato vandalizador e alegaram que agiram mediante promessa de pagamento em dinheiro.
Segundo o relato registrado na Polícia Civil, os investigados disseram ter sido abordados na última segunda-feira, no pátio do campus da Universidade Federal do ABC (UFABC), por quatro pessoas “bem vestidas” e que “não aparentavam ser estudantes”. O grupo teria oferecido a quantia de R$ 300,00 para cada um para que pichassem a frase no Fórum.
Ainda de acordo com os vândalos, os materiais para a execução da pichação (tintas e pincéis) foram entregues na noite de quinta-feira (22), por volta das 22h, por um intermediário no estacionamento da universidade. A comissão prometida só seria paga mediante a apresentação de uma foto comprobatória do muro pichado, o que não chegou a ocorrer devido à intervenção rápida da Polícia Militar.
Inquérito e análise de câmeras
Embora o crime de pichação em edificação pública (Artigo 65 da Lei de Crimes Ambientais – Lei 9.605/98) seja classificado como infração de menor potencial ofensivo, a delegada titular Dra. Amelia Gonçalves Bretas optou por não registrar apenas um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), determinando a abertura formal de Inquérito Policial.
A decisão fundamentou-se na gravidade e na dinâmica dos fatos, que sugerem a atuação organizada e financiada de terceiros ainda não identificados. A polícia solicitou perícia técnica para o local do crime e requisitou imagens das câmeras de segurança tanto do Fórum de Santo André quanto da UFABC, focando no pátio e no estacionamento nos horários citados pelos suspeitos.
As imagens serão utilizadas para checar a veracidade do relato, identificar quem forneceu as tintas e contratou o serviço, além de esclarecer a real motivação por trás do ato. As investigações prosseguem sob sigilo na delegacia da área.
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