18 de maio de 2022

Moro pede demissão e acusa intervenção política no Ministério da Justiça

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Demissão de ministro acontece após Bolsonaro demitir Maurício Aleixo, seu braço-direito do comando da Polícia Federal

 

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, pede demissão. Foto: Pozzebom/Agência Brasil

 

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, pediu demissão na manhã desta sexta-feira (24/04) após o presidente Jair Bolsonaro demitir Maurício Aleixo,  seu braço direito no comando da Polícia Federal. Moro afirmou que soube da demissão pelo Diário Oficial da União.

“A exoneração foi publicada, mas não assinei esse decreto. Em nenhum momento o diretor apresentou pedido formal de exoneração. Fui surpreendido, isso foi ofensivo. Para mim esse último ato é uma sinalização de que o presidente me quer fora do cargo. No meu entendimento foi que não tinha como aceitar essa substituição. Não me senti confortável. Tenho de preservar minha biografia”, afirmou Moro no procunciamento

De acordo com o ministro, a pressão para trocar o comando da Polícia Federal já acontece desde meados do ano passado. “A partir do segundo semestre do ano passado passou a ter uma insistência do presidente da troca do comando da Polícia Federal. Primeiro do superintendente do Rio de Janeiro, sem motivo da substituição, mas ele queria sair do cargo por questões pessoais. Neste cenário, acabamos concordando em promover a troca por substituição técnica. O presidente, no entanto, passou a insistir na troca do diretor-geral e eu disse que precisava de uma causa, relacionada a uma insuficiência de desempenho, erro grave. O que vi, durante todo esse período, foi um trabalho bem-feito”, disse.

Sérgio Moro ainda afirmou que Bolsonoro não cumpriu o acordo de que ele teria carta branca no Ministério da Justiça para atuar contra a corrupção. “Os grande problema de realizar a troca havia violação de uma promessa de que eu teria carta-branca, não haveria causa para substituição e ficava claro a interferência política na Polícia Federal, o que gera abalo na confiabilidade. Ia gerar uma desorganização. Busquei postergar essa decisão, mas sempre me veio a sinalização de que seria grande equivoco. Conversei com o presidente e houve uma insistência. Disse a ele que seria uma intervenção política e ele disse que seria mesmo”, afirmou Moro em seu discurso.

 

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