
Uma sequência de descobertas dolorosas tem marcado o luto da família da funcionária pública Priscila Meneses Cabral, de 44 anos. Vítima de um grave atropelamento em Mauá, na Região Metropolitana de São Paulo, Priscila faleceu na última sexta-feira (5), após passar cinco dias internada. O choque da perda, contudo, foi acompanhado por uma revelação inesperada: a de que ela estava grávida — fato que a família só descobriu ao tentar realizar o último desejo da servidora, que era ser doadora de órgãos.
O sepultamento de Priscila ocorreu neste domingo (7), no cemitério de Ribeirão Pires, sob forte clima de comoção e pedidos de justiça.
O acidente e a suspeita de racha
O trágico episódio aconteceu na noite do dia 31 de maio, na Avenida Capitão João. Priscila e o namorado retornavam de um bar, onde haviam assistido à final da Champions League, quando o carro em que estavam apresentou uma falha mecânica.
O companheiro da servidora parou o veículo no acostamento e caminhou a pé em busca de ajuda, enquanto Priscila aguardava do lado de fora do automóvel. Pouco tempo depois, o namorado ouviu um forte barulho de colisão. Ao olhar para trás, Priscila já havia sido atingida e arremessada por vários metros.
Testemunhas que presenciaram a cena relataram que o atropelamento foi causado por uma BMW e que o condutor fugiu do local sem prestar nenhum tipo de socorro. A principal linha de investigação da Polícia Civil aponta que o motorista da BMW estaria disputando um racha (corrida ilegal) com outro veículo no momento do impacto.
Revelação no hospital
Socorrida em estado grave, a funcionária pública foi levada ao Hospital Nardini, onde permaneceu internada por cinco dias antes de ter a morte encefálica confirmada. Ela sofreu fraturas nas pernas e traumatismo craniano.
Decididos a honrar a vontade de Priscila, que sempre manifestou o desejo de ajudar a salvar outras vidas, os familiares iniciaram os trâmites e protocolos para a doação de órgãos. Foi nesse momento que a equipe médica informou que o procedimento era inviável, pois os exames constataram que a vítima estava grávida — uma condição que, por protocolo médico legal, veta a retirada dos órgãos. A notícia pegou todos os parentes de surpresa.
Investigação e próximos passos
A Polícia Civil já identificou os motoristas dos dois veículos que estariam envolvidos na disputa ilegal de velocidade. Imagens de câmeras de segurança da região estão sendo analisadas para reconstruir a dinâmica do acidente e comprovar a prática do racha.
A expectativa das autoridades e dos familiares é de que o condutor da BMW se apresente à delegacia para prestar depoimento ainda no decorrer desta semana. O caso segue registrado e investigado como homicídio culposo ou com dolo eventual na direção de veículo automotor, qualificado pela fuga de local de acidente.
