Jovem que matou namorado em um churrasco em S.Caetano vai a juri popular

Defesa havia recorrido para impedir o julgamento popular, mas Tribunal de Justiça negou recurso e análise do caso será em 25 de março

 

Jovem matou o namorado durante um churrasco em São Caetano. Foto: Divulgação

 

A jovem Agatha Raianne da Silva, de 20 anos, que matou o namorado Augusto Francisco de Lima, de 27 anos, durante um churrasco em São Caetano, em 2 de fevereiro de 2019, na avenida Antonio Fonseca Martins, 271, no bairro São José, será submetida a julgamento popular em 25 de março, às 10h, no Fórum da cidade. A defesa de Agatha, por intermédio do advogado Rafael Felipe Dias, informou que recorreu para evitar o juri, porém o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) negou o recurso.

Agatha alegou em juízo legítima defesa e afirmou que era agredida pelo namorado com quem se relacionava há um ano. Ela disse ainda que com dois meses de namoro ele foi morar em sua casa, mas alega que sempre brigava para ter desculpa para sair sozinho com os amigos. Segundo a  jovem, o companheiro utilizava drogas e havia lhe contado que também batia em sua ex-mulher.

O advogado de Agatha disse que o fato de ter sido um único golpe de faca reforça a tese de legítima defesa. “Ela usou a faca uma única vez para repelir a injusta agressão em que se encontrava. Se a intenção fosse tirar a vida do rapaz, teria dado mais golpes, sendo que a própria Agatha o socorreu. A vítima havia agredido Agatha no interior do banheiro e na saída do banheiro, oportunidade em que e o dono da casa onde era realizado o churrasco separou a briga inicial.”, afirmou o advogado.

Após confusão inicial no churrasco, Agatha alega que sentou-se e decidiu pedir um Uber para ir embora para casa, mas novamente o namorado a agrediu. “Ele deu uma voadora na barriga da minha cliente, momento em que a mesma pegou uma faca para se defender e avisou que se ele fosse para cima de novo o atingiria com a faca. Mesmo assim, ele foi pra cima dela”, afirmou Rafael Felipe Dias. Durante a audiência de instrução e julgamento, uma das testemunhas afirmou que Aghata já tinha enfrentado outras agressões do namorado. Disse que ele já havia tentado esganá-la”, afirmou o advogado.

De acordo com a defesa, o processo aponta indícios de que a vítima respondeu ações penais por tráfico e violência doméstica contra sua ex-companheira, motivo pelo qual o advogado solicitou à Justiça a folha de antecedentes da vítima. “Caso a informação seja confirmada, essa será uma prova muito importante para apresentar aos jurados”, disse o advogado.

 

Agatha e o advogado Rafael Felipe Dias enquanto aguardavam decisão sobre a decisão se haveria juri popular no Fórum de São Caetano.

 

Defesa acredita na Absolvição

Apesar do assassinato, a  defesa da jovem que praticou o crime acredita em sua absolvição. “O feminicídio no Brasil cresce de maneira absurdamente rápida, a todo o momento mulheres são mortas por namorados ou companheiros, minha cliente apenas tentou se defender, jamais tiraria a vida do rapaz, porém, infelizmente, se a mesma não tivesse se defendido, ela seria mais um número para a triste estatística do feminicídio em nosso país, dessa forma acreditamos e trabalharemos muito para que a Justiça seja feita no dia 25 de março, e Agatha seja absolvida”, concluiu Rafael Felipe Dias.