Fabio Palacio e familiares recebiam R$ 65 mil em salários da Prefeitura de São Caetano

Nomeações ocorreram enquanto candidato a prefeito pelo PSD era aliado do atual governo; Região do ABCD tem outros casos de prefeituráveis que eram aliados de seus atuais adversários

 

Fabio Palacio e familiares já receberam R$ 65 mil em salários da Prefeitura de São Caetano. Foto: Divulgação

 

As eleições deste ano mostram que alguns candidatos na Região do ABCD já foram aliados de seus adversários. No caso de São Caetano, o candidato a prefeito pelo PSD, Fabio Palacio, já foi assessor especial do prefeito José Auricchio (PSDB) no primeiro governo do tucano. Além de Palacio, trabalhavam na Prefeitura outros quatro familiares, que somando as remunerações davam R$ 65 mil.

Na primeira gestão de Auricchio, Fabio Palacio tinha um salário de R$ 15 mil como assessor especial. A mãe de Palacio, Maria Inês, recebia como assessora financeira R$ 15 mil. Ela também atuou como assessora de Recursos Humanos. O pai do prefeiturável, Roberto Marins, trabalhava como assessor II e recebia mensalmente R$ 15,5 mil.

Também trabalhou no governo a prima do candidato a prefeito, Edilene Constantino, com R$ 4,5 mil de vencimentos pagos pela terceirizada TB. Outro caso é o de Priscila Deodato, prima da esposa de Palacio, que foi nomeada na administração em 2012, na segunda gestão de Auricchio, como assessora técnica II, na Secretaria de Educação, com salário de R$ 18,5 mil. Todos os casos citados acima constam de portarias publicadas na época.

Fabio Palacio deixou de trabalhar na Prefeitura depois que se elegeu e reelegeu outras duas vezes vereador até 2016, quando disputou a Prefeitura pela primeira vez e ficou em terceiro lugar, atrás de Auricchio e do ex-prefeito Paulo Pinheiro.

Críticas

O candidato a prefeito pela Rede, Eduardo Casonato, acredita que Fabio “é incoerente” quando faz acusações contra seus adversários. “O Fábio Palacio sempre teve essa prática no governo. Foi aliado do Auricchio e sempre defendeu e votou os projetos junto com o governo. Ele tem feito acusações de que o prefeito faz coisas erradas, quando deveria apresentar propostas e menos ataques. Desde quando ele acha que o prefeito faz coisas erradas? Antes ou depois de ele deixar o governo? Isso ele precisa responder para a população”, afirmou Casonato.

Ao ser indagado o que fez virar adversário de Auricchio, Fábio Palacio  enviou uma nota oficial. Leia a íntegra:

 “ O candidato a prefeito Fabio Palacio (PSD) informa, por meio de sua assessoria de imprensa que, foi vereador por três mandatos, com três prefeitos diferentes e que sempre votou os projetos de lei de acordo com os interesses da população. O candidato informa ainda que decidiu seguir caminho diferente do atual prefeito, José Auricchio Júnior, por discordar dos métodos administrativos do prefeito, que resultaram em inúmeros processos judiciais amplamente divulgados pela mídia nacional, inclusive sua condenação em segunda instância por captação ilegal de recursos para sua campanha eleitoral de 2016.”

Outros casos na região

Em Santo André, o candidato a prefeito pelo PSB, Ailton Lima, também foi aliado do prefeito Paulo Serra (PSDB), no começo da gestão tucana. Ailton  era secretário de Desenvolvimento Econômico, com salário de R$ 15,5 mil, e saiu da Administração acusando o tucano de ter uma “governo maquiado e com irregularidades”.

A prefeiturável Vanessa Damo (MDB), de Mauá, chegou até a ser nomeada secretária de Relações Institucionais no governo Atila Jacomussi (PSB) e hoje disputa as eleições contra o socialista. A paz entre os dois acabou quando a mãe, Alaíde Damo (MDB), que vice-prefeita, rompeu com Atila, depois que ele foi preso pela Polícia Federal em 2018. Com o afastamento temporário de Atila das funções, Alaíde demitiu os aliados dele e queria criar sua marca, mas o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo reconduziu o socialista para o comando do Paço e a guerra entre os clãs aumentou na cidade.

Em Diadema, pelo menos três ex-secretários do prefeito Lauro Michels (PV) não quiserem seguir a indicação do verde de apoio a Rivelino Teixeira, o Pretinho (DEM), como prefeiturárvel. Marcos Michels (PSB),  Gesiel Duarte (Republicanos) e Denise Ventrici (PRTB) decidiram entrar na corrida pelo Paço neste ano, mas contra a vontade do chefe do Executivo que defendia a união do grupo em torno do democrata.

 

1 Comentário

  1. Somente uma forma disfarçada de corrupção. Se forem investigar realmente nenhum parente cumpriu um dia sequer de trabalho. Na política é roubando que se entendem. Vergonhoso.

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