
Um grupo de conselheiros do Palmeiras, que fazem parte do movimento Ocupa Palestra, divulgou uma carta aberta pedindo que José Roberto Lamacchia se desligue de forma voluntária do Conselho Deliberativo do clube. A mobilização política aconteceu após a Almirante Participações — empresa do empresário — vencer o leilão para comprar a SAF do Vasco da Gama, negócio que ainda precisa da aprovação dos órgãos colegiados do clube carioca. O grupo afirma que a operação financeira cria uma incompatibilidade de ética e de normas que impede que Lamacchia continue no conselho diretor do Palmeiras.
Ligação com a presidência do Palmeiras e conflito de interesses
José Roberto Lamacchia é casado com a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, e atua como garantidor financeiro da operação de compra da SAF vascaína, liderada por seu filho. Paralelamente, a Crefisa, instituição financeira controlada pela família, vem concedendo aportes e empréstimos ao clube do Rio de Janeiro. Na avaliação do grupo oposicionista, o envolvimento econômico direto com uma instituição concorrente fere a lisura institucional do Palmeiras.
As exigências apresentadas na carta aberta
O documento protocolado pelos conselheiros alinhados ao Ocupa Palestra estabelece três cobranças centrais para a proteção do clube paulista:
- Desligamento do Conselho Deliberativo: Exigência de renúncia voluntária caso a venda da SAF seja homologada. O movimento cita o artigo 33, inciso XIII, do Estatuto Social do Palmeiras, que veda condutas contrárias aos interesses da instituição e considera incompatível o papel de financiador de um rival com o exercício do mandato interno.
- Cessação de facilidades operacionais: Interrupção imediata de qualquer benefício direto ou indireto cedido a equipes adversárias por meio do ecossistema de empresas da presidente, como o eventual uso logístico da aeronave de Leila Pereira por delegações rivais.
- Blindagem de dados e know-how: Solicitação para que o Conselho Deliberativo e o Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) implementem mecanismos de proteção para impedir o vazamento de informações táticas, operacionais e de inteligência de mercado.
Tensão política às vésperas de confronto decisivo
A cobrança por posicionamento oficial intensifica a pressão nos bastidores da Academia de Futebol em um momento decisivo da temporada, antecedendo os duelos entre Palmeiras e Vasco da Gama pelas semifinais da Copa do Brasil. Até a publicação desta reportagem, nem José Roberto Lamacchia, nem a presidente Leila Pereira ou a assessoria do Palmeiras manifestaram-se formalmente sobre o teor da carta.