Corinthians intensifica articulação em Brasília com a AGU para renegociar R$ 650 milhões da Arena. Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
O Corinthians aumentou a pressão política e institucional para que a Caixa Econômica Federal reestruture o financiamento do seu estádio. Um grupo alvinegro foi a Brasília para encontros com a intermediação da Advocacia-Geral da União (AGU), visando modificar os fundamentos contratuais da dívida da Neo Química Arena, que hoje está estimada em R$ 650 milhões. A diretoria planeja mudar o indexador de juros do contrato e está considerando os naming rights como uma estratégia financeira para conter as perdas financeiras do clube.
Propostas do clube: mudança no indexador de juros e rescisão contratual com a Hypera Pharma
O objetivo central da cúpula corintiana é alterar a taxa que incide sobre o saldo devedor desde a repactuação firmada em 2023, quando os atrasos nos pagamentos fizeram o montante ser atrelado ao CDI:
Mudança de taxa: O Timão quer migrar do CDI para a Taxa de Longo Prazo (TLP) ou para um índice atrelado à inflação (como o IPCA), reduzindo o custo acumulado das parcelas.
Revisão dos naming rights: O clube avalia rescindir o contrato vigente com a Hypera Pharma — operação que custaria cerca de R$ 50 milhões em multa —, prevendo que a economia gerada com a redução dos juros cobriria esse investimento com margem e abriria espaço para um novo parceiro comercial.
Lula critica juros cobrados pela Caixa e sugere venda imobiliária do Parque São Jorge
O tema ganhou holofotes após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentar o caso publicamente no podcast Desce a Letra Show. O chefe do Executivo criticou os valores cobrados pelo banco estatal e revelou ter cobrado explicações da cúpula da instituição financeira:
“Você sabe que o Corinthians pegou R$ 400 milhões emprestados para fazer o estádio. Já pagou R$ 1,075 bilhão e ainda deve R$ 600 milhões. Eu falei para o cara da Caixa: ‘Que loucura é essa? Peguei R$ 400 milhões, paguei R$ 1 bilhão e ainda devo R$ 600 milhões’. É por conta dos juros.”
Lula sugeriu ainda uma alternativa comercial envolvendo o patrimônio social do clube: propor à Caixa uma parceria com o setor imobiliário para comercializar a área da Fazendinha, no Parque São Jorge, utilizando os recursos arrecadados para quitar o saldo devedor do estádio e liberar orçamento para futebol.
Impasse político em ano eleitoral dificulta desfecho rápido
Apesar da ofensiva na capital federal, a tendência imediata nos bastidores aponta para cautela. Com o cenário eleitoral no horizonte, qualquer flexibilização nas condições de pagamento concedida pelo governo federal ou pela Caixa corre o risco de ser interpretada pela oposição como favorecimento político ao Corinthians. Diante disso, a comissão jurídica do Timão trabalha para estruturar uma saída estritamente técnica e blindada do debate partidário.