
A CNRD da CBF determinou que o Santos deve pagar ao Cuiabá Esporte Clube o valor de R$ 18.616.377,46. A deliberação, anunciada nesta terça-feira (22), diz respeito à falta de pagamento na compra do zagueiro Joaquim, que foi contratado pelo Peixe em fevereiro de 2023, além do repasse do lucro proveniente da transferência subsequente do defensor para o Tigres, do México.
A condenação revela mais um enredo financeiro do clube alvinegro nos tribunais esportivos, relacionado a um jogador que participou de 66 jogos e anotou seis gols pela equipe santista antes de ser transferido para o futebol mexicano.
Detalhes da dívida e crítica do Cuiabá a atrasos recorrentes
Em nota oficial, a diretoria do Dourado esclareceu que chegou a renegociar o débito — cuja última parcela original venceu em janeiro de 2025 — e abriu mão de valores expressivos para facilitar o acerto. No entanto, o Santos cumpriu apenas o pagamento da primeira de cinco novas parcelas pactuadas, motivando o acionamento da CNRD em maio de 2025.
O clube mato-grossense cobra o depósito imediato e demonstrou receio de que o Peixe recorra ao Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA) apenas para procrastinar a quitação, relembrando os casos recentes envolvendo Arouca e Monaco na FIFA, onde o Alvinegro só honrou os débitos após a aplicação de transfer bans.
Mais de R$ 40 milhões a receber: Cuiabá expõe calotes no futebol brasileiro
No mesmo comunicado, a cúpula do Cuiabá destacou que o montante a receber de outras equipes do futebol nacional ultrapassa a marca de R$ 40 milhões, citando nominalmente os débitos de outros clubes:
- Corinthians: Inadimplente na parcela de julho de 2026 referente à compra do volante Raniele, dívida incluída pela CNRD em um plano de parcelamento coletivo até 2031.
- Sport: Débito estimado em R$ 6 milhões pela transferência do lateral-direito Matheus Alexandre.
- Grêmio: Aguarda definição da CNRD sobre a inclusão de um crédito de R$ 900 mil em plano de pagamento coletivo.
Nota oficial do Cuiabá Esporte Clube
“O Cuiabá Esporte Clube informa que, nesta data, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF condenou o Santos Futebol Clube a pagar ao Cuiabá R$ 18.616.377,46. A dívida vem da venda do zagueiro Joaquim ao Santos, em fevereiro de 2023, e da participação do Cuiabá na revenda do atleta ao Tigres, do México. A última parcela venceu em janeiro de 2025. Para facilitar o acerto, o Cuiabá renegociou e abriu mão de parte relevante do que tinha a receber. Mesmo assim, o Santos pagou apenas a primeira das cinco novas parcelas. O Cuiabá acionou a CNRD em maio de 2025, e a sentença levou dezesseis meses para sair. O Cuiabá recebe a decisão com respeito, mas não com alívio. Sentença não paga salário. O que o clube espera agora é o pagamento imediato. O Santos ainda pode recorrer ao CBMA. O Cuiabá deixa registrado desde já que não aceitará em silêncio o uso de recursos e expedientes processuais com o único objetivo de adiar mais uma vez o que é devido há quase dois anos. O histórico recente preocupa: nas cobranças movidas pelo Arouca e pelo Mônaco perante a FIFA, o Santos só pagou depois de receber transfer ban, embora já estivesse condenado havia meses. No mesmo período, seguiu contratando. O caso Santos não é isolado:Outros clubes também devem valores menores. Somados, os créditos do Cuiabá contra clubes brasileiros ultrapassam R$ 40 milhões.”
- Corinthians: a dívida pela venda do volante Raniele foi incluída pela própria CNRD em plano coletivo de 24 parcelas trimestrais, até 2031, corrigidas apenas pela inflação e sem juros. São condições extremamente favoráveis ao devedor e duríssimas para o credor. Mesmo assim, a parcela vencida em 17 de julho segue em aberto.
- Sport: deve cerca de R$ 6 milhões pela venda do lateral Matheus Alexandre.
- Grêmio: o Cuiabá aguarda julgamento sobre a inclusão de um crédito de aproximadamente R$ 900 mil em plano de pagamento coletivo.