
O Corinthians venceu o Remo por 3 a 0 na Neo Química Arena, mas o técnico Fernando Diniz não se limitou a comemorar o resultado. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (23), o comandante alvinegro foi direto ao analisar o desempenho da equipe, os desafios da intertemporada, o gramado e a situação financeira do clube.
Diniz mostrou tranquilidade para tratar de temas sensíveis, como o transfer ban e a necessidade de vendas, além de explicar com franqueza os limites do trabalho no curto período de treinos.
Intensidade no primeiro tempo, controle no segundo
O treinador avaliou que o Corinthians soube impor seu jogo na etapa inicial, mas viu o ritmo cair naturalmente na segunda metade. Para ele, a pressão alta funcionou como ferramenta tática, ainda que o time não tenha conseguido mantê-la por 90 minutos.
“A pressão é uma espécie de controle tático. No segundo tempo não tivemos intensidade, mas soubemos controlar bem na marcação. Apesar disso, não foi o controle que a gente esperava”, afirmou.
Diniz ponderou que a queda era previsível, especialmente pelo longo período sem jogos oficiais. “Era previsível baixar o ritmo, mas não era o que a gente queria. Queria que eles tivessem a intensidade mais alta. Mas, como é o primeiro jogo depois de dois meses, é normal ter acomodação e também o desgaste”, completou.
Intertemporada: “Não dá para fazer mágica”
O comandante foi enfático ao rebater críticas sobre o aproveitamento dos 25 dias de paralisação. Para ele, a imprensa superestima o tempo disponível para ajustes táticos e físicos.
“As pessoas da imprensa veem 25 dias e acham que dá tempo de fazer muita coisa, mas não é bem assim”, disparou.
Diniz explicou que a verdadeira pré-temporada ocorreu quando assumiu o clube. “A minha grande pré-temporada foi quando eu cheguei. A gente ficou 60 dias sem jogar, contando as férias. Quando voltamos, exames laboratoriais, testes físicos e, após resgatar a parte física, começamos a trabalhar a parte tática na semana passada. Não dá para fazer mágica”, desabafou.
Situação financeira e transfer ban
O técnico confirmou que está em sintonia com a diretoria sobre a necessidade de vendas. O Corinthians tem uma meta orçamentária de R$ 150 milhões com negociações nesta janela.
“Estamos muito alinhados eu e a diretoria. Sei que o time precisa vender alguém. Espero que, se for preciso, seja apenas um, com um bom valor. Mas, para mim, se pudéssemos manter todos, seria ótimo”, disse.
Sobre o transfer ban, Diniz adotou discurso cauteloso. “Em relação ao transfer ban, sabemos que a diretoria está se esforçando ao máximo para resolver a situação”, afirmou.
Gramado em fase de adaptação
O treinador avaliou positivamente as condições do novo piso da Neo Química Arena, mas fez uma ressalva técnica.
“O gramado ainda está um pouco estranho, está alto, precisa de uma compactação maior. Hoje estava em boas condições. Acreditamos que em mais alguns jogos estará apto”, explicou.
Trabalho com a base não é novidade para Fernando Diniz
Diniz garantiu que o olhar para as categorias de base não começou por causa da punição da Fifa. O trabalho já vinha sendo feito desde sua chegada ao clube.
“Em todos os lugares que trabalhei, olhei as categorias de base. Temos que ter cuidado para lançar, e isso está sendo feito desde que cheguei aqui, e não só por conta do transfer ban”, concluiu.
Com o triunfo, o Corinthians chegou aos 34 pontos e ocupa a 7ª colocação. O próximo compromisso é no domingo (26), diante do Bahia, fora de casa, pela 20ª rodada do Brasileirão.