
Às vésperas de Espanha e Argentina entrarem em campo para decidir a Copa de 2026, Joseph Blatter resolveu subir o tom contra seu sucessor. O suíço de 89 anos, que chefiou a entidade por 17 anos, publicou declarações neste sábado (18) mirando diretamente duas decisões da gestão Gianni Infantino: o espetáculo musical programado para o intervalo da decisão e a interferência nos bastidores que beneficiou o atacante Balogun, dos Estados Unidos.
“A final virou entretenimento de intervalo”
A escolha de Justin Bieber, Shakira, Madonna e BTS para comandar uma apresentação durante a pausa da partida tirou Blatter do sério. Para ele, a iniciativa descaracteriza o futebol em favor do show business.
“A pausa para a hidratação foi apenas o começo. No domingo, a final da Copa do Mundo vai ver o ponto alto do torneio, o maior intervalo da história do futebol. A final da Copa do Mundo será como uma cópia do Super Bowl. Para onde estamos indo, Fifa?”, disparou.
“Futebol não se dobra a telefonemas”
O outro alvo foi o caso do jogador norte-americano que teve a expulsão anulada antes de uma partida eliminatória. Blatter enxergou ali uma porta escancarada para a política contaminar as decisões disciplinares.
“Expulsões não são revertidas por ligações políticas. Elas são revertidas por regras, evidências e órgãos independentes. Se um presidente dos EUA intervém com o presidente da Fifa e um jogador é subitamente absolvido antes de uma partida eliminatória da Copa do Mundo, a questão é inevitável: para onde estamos indo, Fifa? O futebol nunca deve se tornar um playground para o poder político.”
O ex-presidente da FIFA
Blatter presidiu a Fifa entre 1998 e 2015, período que incluiu a Copa do Mundo realizada no Brasil. Deixou o cargo em meio ao escândalo de corrupção do Fifagate, investigado pelo FBI e pela Justiça suíça — processo do qual acabaria inocentado posteriormente. Hoje, afastado das estruturas de poder do futebol mundial, mantém-se como uma voz crítica constante à administração de Infantino.