
A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) decidiu não suspender o leilão do terreno onde está instalado o CT Rei Pelé, centro de treinamento do Santos. Em documento enviado ao procurador Thiago Lacerda Nobre nesta quarta-feira (17), o órgão afirmou que tudo está sendo avaliado, mas manteve a data do certame. A venda segue marcada para 4 de agosto, às 10h, com lance mínimo de R$ 79 milhões.
O prazo do MPF
A resposta da SPU veio após o Ministério Público Federal estipular um prazo de cinco dias para que o órgão se manifestasse sobre a suspensão do processo. O MPF havia alertado que, se ignorado, poderia dar início a uma ação judicial. A manifestação da SPU foi apresentada, mas sem acatar o pedido de cancelamento — ao menos por ora.
Por que o MPF quer barrar o leilão
O órgão contesta o valor do lance mínimo e pede uma nova avaliação do terreno. Também questiona dívidas de IPTU que incidem sobre a área e cobra esclarecimentos sobre os critérios da licitação. O pedido, embora não tenha força para suspender automaticamente o certame, mantém a pressão sobre a SPU.
O Santos quer comprar
O clube já confirmou oficialmente o interesse em adquirir o imóvel. A compra é tratada como prioridade porque o CT abriga as atividades diárias das equipes masculina e feminina, além de todas as categorias de base. O espaço é ocupado pelo Santos desde os anos 1990 por cessão, mas o clube não tem direito de preferência no leilão, que será aberto a outros interessados.
Investigação em andamento
O MPF já acompanha o caso desde declarações do ex-deputado federal Bozella Júnior, que supostamente teria mantido contato com órgãos federais sobre o cronograma do leilão e linhas de financiamento. Outro ponto sensível: se o terreno for arrematado por terceiros, o Santos tentará buscar na Justiça o ressarcimento pelas benfeitorias feitas ao longo das décadas — embora o MPF, em análise inicial, entenda que o clube não teria esse direito. O impasse continua.