
Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa, rompeu o silêncio com críticas contundentes à entidade que comandou por 17 anos. Em entrevista ao jornal francês L’Équipe, o suíço de 90 anos condenou a postura da federação diante do caso Omar Artan, árbitro somali barrado pelas autoridades americanas e excluído da Copa do Mundo de 2026. O alvo principal foi Gianni Infantino, seu sucessor.
“A Fifa abandonou princípios sagrados”
Blatter argumentou que a escolha de um país-sede impõe compromissos inegociáveis, e que a entidade falhou ao não garanti-los.
“É algo inacreditável e sem noção. Quando se entrega a organização de um Mundial a uma nação, existem dois princípios básicos e intocáveis. O primeiro é a segurança, que o país precisa oferecer. O segundo é liberar vistos para todos os integrantes da Fifa. E não existe função mais oficial do que a de árbitro. Se um país barra a entrada de um juiz, isso é um problema gravíssimo. Não se deveria realizar uma Copa em um lugar assim. A responsabilidade é principalmente da Fifa: ela abandonou esse princípio, que os EUA desrespeitaram. Não dá mais para interromper o torneio agora, mas a situação é vergonhosa.”
Alfinetada em Infantino e Trump
O ex-dirigente também desafiou Infantino a demonstrar independência diante da Casa Branca. “O mandatário atual deveria provar que é mais forte do que seu grande amigo na Casa Branca [Donald Trump], não acha? Quando a política começa a ditar as regras, isso é prejudicial. Também seria necessário que as outras federações se manifestassem contra.”
O caso Omar Artan, árbitro FIFA
Artan teve o visto negado ao desembarcar em Miami. A Fifa justificou que não pode interferir nos processos migratórios do país-sede e o retirou da lista de árbitros. Eleito o melhor juiz da Confederação Africana em 2025, seria o primeiro somali da história a apitar uma Copa. De volta a Mogadíscio, foi recebido com festa pela população local.
Quem é Joseph Blatter
Blatter presidiu a Fifa entre 1998 e 2015, ano em que renunciou em meio ao escândalo de corrupção do Fifagate, investigado pelo FBI e pela Justiça suíça. Foi sob sua gestão que o Brasil sediou a Copa de 2014.
