
A eliminação do Corinthians no Paulistão ainda ecoava nos vestiários quando o assunto mudou para os bastidores do clube. Após a derrota por 1 a 0 para o Novorizontino, o técnico Dorival Júnior e o executivo de futebol Marcelo Paz concederam entrevistas coletivas e expuseram visões distintas sobre a negociação envolvendo o volante André com o Milan.
Enquanto Dorival classificou como “inadmissível” a possibilidade de venda do jogador neste momento, Paz adotou um tom mais ponderado, destacando a necessidade do clube em equilibrar as contas por meio de negociações.
O desabafo do treinador
Visivelmente incomodado, Dorival criticou o timing de uma eventual transferência tão perto do fechamento da janela de transferências no Brasil.
— Você vende com três dias para contratar. E aí, contrata quem? Vai achar outro André no Terrão? Não vai. Ele precisa ficar aqui para amadurecer, crescer, dar retorno técnico ao Corinthians. Depois desse retorno dentro de campo, aí sim ele proporciona um retorno financeiro — argumentou o comandante alvinegro.
A proposta do Milan gira em torno de 15 milhões de euros fixos (cerca de R$ 90 milhões), acrescidos de mais 2 milhões de euros em bônus (aproximadamente R$ 12 milhões).
A visão da diretoria do Corinthians
Na sequência, Marcelo Paz assumiu a palavra e apresentou um discurso alinhado à realidade financeira do clube. Sem confirmar a venda como certa, o executivo explicou os bastidores da decisão.
— O Corinthians precisa vender jogadores. Isso é muito claro. A diretoria e o presidente sempre colocaram essa necessidade para honrar compromissos. A venda está finalizada? Ainda não. Precisamos de equilíbrio entre necessidade de caixa, equilíbrio financeiro e manutenção do elenco. Existe uma expectativa da torcida: “será que ele não pode valer mais?”. Sim, pode, mas pode valer menos também. É uma decisão difícil — ponderou Paz.
O impacto no elenco
Caso a venda se concretize, o Corinthians não perderia André imediatamente, já que a janela de transferências para a Itália está fechada. O volante só deixaria o clube após a disputa da Copa do Mundo. No entanto, o desafio estaria na reposição: os clubes brasileiros têm até esta segunda-feira para contratar atletas do exterior, e o prazo para negociações domésticas vai até 27 de março. Um cenário que acende o alerta no Parque São Jorge.
