
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo abriram um novo inquérito para apurar indícios de desvios financeiros e corrupção no São Paulo Futebol Clube. O foco central das investigações é o antigo Departamento Social, então sob a gestão de Antonio Donizete Gonçalves, o Dedé, ex-diretor da área e aliado do então presidente Júlio Casares.
As apurações se concentram na suspeita de que Dedé oferecia vantagens indevidas a pessoas dentro da estrutura do clube e, em contrapartida, recebia quantias em dinheiro. O escopo da investigação também inclui a possibilidade de desvios em negociações de atletas da base e um esquema ilegal de venda de ingressos para camarotes em eventos e shows realizados no estádio do Morumbi.
Crise no São Paulo
O caso veio à tona a partir da ação judicial movida por uma mulher que buscava reaver prejuízos financeiros de uma operação malsucedida. Ela apresentou como prova gravações de conversas com dirigentes do São Paulo nas quais supostas irregularidades eram admitidas.
O escândalo teve desdobramentos políticos imediatos no clube: Júlio Casares sofreu impeachment do Conselho Deliberativo e, em sequência, renunciou ao cargo para evitar um referendo que não só ratificaria sua saída, mas também cassaria seus direitos políticos no São Paulo. Dedé também deixou sua posição com a mudança na presidência.
Em resposta à crise, a nova gestão do presidente Harry Massis Junior determinou uma investigação interna independente para apurar os fatos e reforçar os controles de governança. Para conduzir o trabalho, foram contratadas a consultoria especializada FTI Consulting e o escritório de advocacia Machado Meyer.
