É a favor de clássico com torcida única no futebol? Opine

Iniciativa em São Paulo deu resultado e reduziu violência, mas torcedores lamentam não assistir disputas com maiores rivais 

Torcedor Bruno vai com a família para o estádio. Foto: Arquivo pessoal

Apesar de os números mostrarem uma redução na violência entre torcedores no Estado de São Paulo após determinação de que os grandes clássicos do futebol só podem ter torcida única, alguns torcedores ainda lamentam o fato de não poderem assistir no estádio as disputas com os principais rivais.

Para o torcedor Bruno Nogueira, o clássico com torcida única é frustrante. “Sou radicalmente contra torcida única, até porque as brigas não acontecem dentro do estádio e sim fora. Me lembro que o primeiro clássico sem torcida foi entre São Paulo e Corinthians e, mesmo assim, morreu uma pessoa  em Carapicuíba, portanto, reforça a tese de que as brigas acontecem longe do estádio”, afirmou.

Para Nogueira, que costuma levar a família no estádio, é menos emocionante quando é uma só torcida.

O torcedor Getúlio da Silva avalia que a “festa” quem faz são as torcidas e quando é única tira um pouco o brilho do espetáculo. “Eu acho muito ruim, estraga o espetáculo. O bom é ter as duas torcidas. Uma canta seu hino de um lado e a outra canta do outro. Isso que é o gostoso do jogo”, avaliou o corintiano freqüentador assíduo de estádios.

Torcedores prejudicados

A palmeirense Mayara Fuzito, moradora de São Bernardo, engrossa a lista das pessoas contra torcida única em clássicos.   “Sou torcedora fanática do Palmeiras e vou a todas as partidas há quatro anos. Nunca presenciei atos de violência nos estádios. Em relação à torcida única, acho uma medida injusta com aqueles verdadeiros torcedores que gostam de ir com amigos e familiares prestigiar um clássico”, afirmou.

 

Mayara é contra torcida única. Foto: Arquivo pessoal

Para Mayara, quem é mal intencionado briga em qualquer lugar, seja na rua, na praça ou metrô. “Estudos mostram que a violência acontece longe dos estádios. Para mim, a decisão comprova a incapacidade do Estado de promover a segurança pública e acaba tirando a beleza do evento e prejudica os torcedores que realmente gostam de se divertir”, avaliou.

Norma

A norma em São Paulo passou a valer no ano passado, quando o Ministério Público, a Secretaria de Segurança Pública e as Polícias Civil e Militar decidiram conjuntamente adotar a medida para coibir os excessos de violência, principalmente depois que uma pessoa morreu em uma praça do bairro de São Miguel, na Zona Leste de São Paulo, ao levar um tiro durante briga de torcidas antes de um clássico entre Corinthians e Palmeiras. Um senhor de 60 anos apenas transitava pelo local.

O balanço feito de lá para cá pelas autoridades foi considerado positivo, pois a diminuição nos confrontos foi de 50%. Além disso, o efetivo de policiais para dar segurança nos clássicos caiu 33%. Outro dado do Ministério Público é de que aumentou em 25% o número de torcedores que vão aos estádios quando é torcida única.

Em outros países, onde foi adotada a mesma medida o resultado também foi positivo. É o caso da Inglaterra que no início dos nos 80 desenvolveu um trabalho de combate à violência entre as torcidas organizadas. A má conduta dos hooligans fez com que os clubes da Inglaterra fossem vetados de disputar competições européias por cinco anos.

Outro país que, em 2013, tomou iniciativa de isolar as torcidas foi a Argentina. O crescimento da violência naquele ano fez com que o país vizinho adotasse clássicos com torcida única.