Defesa de João Gaspar silencia em pergunta sobre deleção premiada

Como o ministro do STF Gilmar Mendes negou habeas corpus, surgem rumores na cidade sobre possível delação de ex-secretário de Governo

Advogado de João Gaspar disse que defesa tenta reveter prisão, mas se cala diante de pergunta sobre delação. Foto: Divulgação

Roberto Guimarães, advogado do ex-secretário de Governo de Mauá João Eduardo Gaspar, silenciou diante de perguntas feitas pela reportagem do ABCD Jornal sobre a possibilidade de seu cliente fazer deleção premiada. Com um rendimento de R$ 122 mil em 2017, Gaspar foi preso em 9 de maio, após a PF (Polícia Federal) flagrar em sua residência R$ 588,4 mil, além de 2,9 mil euros. Inicialmente, Gaspar ficou detido na carceragem da PF, transferido posteriormente para Penitenciária do Tremembé, na Capital Paulista.

Desde que foi para a prisão, João Gaspar só colecionou derrotas na Justiça. A última delas foi nesta quarta-feira (27/06), no STF (Supremo Tribunal Federal), quando onde o ministro Gilmar Mendes negou habeas corpus a ele. Esse mesmo ministro havia concedido liberdade ao prefeito Atila Jacomussi (PSB), em 15 de junho. Atila, que mesmo solto, não pode retornar ao cargo por determinação judicial, também tinha sido preso por ter em sua casa R$ 87 mil.

Ao ser questionado se existe uma possibilidade de Gaspar fazer delação premiada, o advogado apenas disse: “Estamos tentando reverter a decisão”, afirmou.

A Operação da PF, na qual Gaspar foi preso, foi batizada de Prato Feito. Além de dinheiro, a Polícia Federal encontrou na casa de Gaspar duas agendas. No processo consta que foram encontradas anotações que aparentavam ser distribuição de valores entre pessoas, bem como percentuais de contratos realizados pela Prefeitura de Mauá .

Denúncia

Outro problema enfrentado pelo ex-secretário é que o MPF (Ministério Público Federal) o denunciou por crime de lavagem de dinheiro. Atila também foi denunciado. Ambos foram acusados de ocultação de dinheiro em espécie em suas residências e ainda foram acusados pela Promotoria de supostas fraudes em processos licitatórios para aquisição de merenda e material escolar.

De acordo com o MPF, o dinheiro era proveniente dos crimes de corrupção, fraude em licitações e associação criminosa. “As investigações apontam que Carlos Zeli Carvalho, proprietário da empresa Reverson Ferraz da Silva – ME, teria repassado recursos a Gaspar, que agia como representante do prefeito. A empresa de Carvalho firmou, em 2017, contrato com a Prefeitura de Mauá para fornecimento de uniforme escolar, no valor de R$ 8,34 milhões”, informou o MPF que ainda relatou gravações telefônicas na Operação Prato Feito.

A defesa de Atila tem negado a ocultação do dinheiro e afirma que a quantia encontrada dentro de duas caixas no armário da cozinha é fruto de seu salário de R$ 18 mil por mês, além de aluguéis de imóveis.

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