
Em 31 de março de 1997, imagens gravadas na região conhecida como Favela Naval, em Diadema, foram exibidas por emissoras de televisão e ganharam repercussão no Brasil e no exterior. Os registros mostravam abordagens policiais durante operações realizadas na Avenida Naval.
As gravações foram feitas por Francisco Romeu Vanni, conhecido como “Pica-Pau”, e chamaram atenção por mostrarem a atuação de policiais militares. As imagens, feitas nos dias 3, 5 e 7 de março daquele ano, geraram grande repercussão.
Um dos casos mais comentados foi o de um veículo abordado por policiais, cujo ocupante, Mário José Josino, morreu após ser baleado. O disparo foi feito por um dos policiais envolvidos, Otávio Lourenço Gambra, que ficou conhecido como “Rambo”. Depois disso, foram abertas investigações, nove policiais foram desligados da corporação e alguns responderam a processos na Justiça.
Há relatos de que a gravação foi feita com apoio de pessoas da própria região, em um período marcado por disputas com o tráfico de drogas. Um dos endereços citados é o número 300 da Avenida Naval, onde morava Dona Ângela. Segundo relatos, duas de suas filhas teriam sido mortas por integrantes do crime organizado.

Projeção de jornalista
O então repórter da Rede Globo Marcelo Rezende, que faleceu em 2017, foi o responsável por investigar as imagens, que revelavam a atuação de policiais em Diadema. O caso teve grande repercussão nacional e internacional.
Rambo
Após nove anos no presídio, Rambo deixou o presídio militar Romão Gomes em agosto de 2006, após receber do juiz-corregedor da Justiça Militar, Luiz Alberto Moro Cavalcante, o direito de cumprir em prisão domiciliar o restante da pena de 15 anos e 2 meses, por bom comportamento.
O caso Favela Naval segue sendo lembrado por quem viveu aquela época e por quem estuda temas ligados à segurança pública e à atuação da imprensa.
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