
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80, venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) neste domingo (25) e foi reeleito para o seu quarto mandato presidencial. A vitória, confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h10 com 95,73% das urnas apuradas, marca um feito inédito na história política brasileira e conclui uma das campanhas mais polarizadas desde a redemocratização.
Com 51,73% dos votos válidos no segundo turno contra 48,27% do adversário, Lula conseguiu uma virada inédita sobre o rival, que havia liderado a primeira rodada por 47,03% a 45,16%. Em 2022, o petista já havia derrotado o pai do senador, Jair Bolsonaro, por uma margem de 50,9% a 49,1%.
Dia de votação tenso e prorrogação inédita
O pleito foi marcado por alta tensão institucional. De forma inédita, o Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogou a votação em duas horas após denúncias da campanha petista sobre obstáculos e falhas no transporte público em dez estados, incluindo São Paulo e Bahia.
A decisão gerou atritos na cúpula do Judiciário:
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Kassio Nunes Marques: O ministro e presidente do TSE não tomou medidas imediatas diante das queixas iniciais.
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Cristiano Zanin: O ministro do STF determinou a extensão do horário de votação, sendo acompanhado pelos demais pares da corte.
Apesar de questionamentos de aliados bolsonaristas nas redes sociais, ministros de cortes superiores descartaram qualquer possibilidade de anulação da eleição.
Estratégias e reviravoltas no segundo turno
A campanha de segundo turno foi decidida nos detalhes e na mudança de tática das candidaturas:
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Reorganização petista: Após lavar roupa suja com aliados na primeira semana pós-1º turno, Lula reformulou o comando de campanha e entregou a estratégia digital ao deputado André Janones (Rede-MG). A criação do canal de WhatsApp “Exército do Lula” alcançou mais de 10 milhões de seguidores e operou até o fim da disputa, a despeito de tentativas de bloqueio na Justiça Eleitoral.
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Mobilização de rua e redes: A reta final contou com grandes manifestações orgânicas, culminando em um ato de grande porte na Avenida Paulista no sábado (24). No plano econômico e social, o governo apostou em medidas como o reajuste do Bolsa Família e a proibição de apostas esportivas (bets).
Desafios no Planalto e reconfiguração da oposição
Prestess a completar 81 anos na próxima terça-feira (27), Lula enfrentará um cenário complexo ao assumir o novo mandato em janeiro:
| Frente | Desafios Principais |
| Política e Judiciário | Tensionamento entre alas do STF e reação de uma bancada de direita fortalecida no Senado. |
| Economia | Exigência do mercado por sinalizações de austeridade fiscal e ausência de margem para PECs de transição sem contrapartidas. |
| Relações Internacionais | Incertezas na relação pragmática com a administração de Donald Trump nos Estados Unidos. |
No campo oposicionista, a derrota de Flávio Bolsonaro reabre a disputa pela liderança da direita. Sem mandato a partir da nova legislatura e impactado por investigações recentes, o senador abre espaço para nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em primeiro turno, despontar como alternativa de centro-direita para 2030.
