
A jornalista Malu Gaspar criticou duramente a atuação de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo na noite de quinta-feira (1º). A emissora suspendeu a transmissão a menos de uma hora do início do programa, alegando que uma sucessão de decisões liminares da Justiça Eleitoral e da Suprema Corte gerou “insegurança jurídica” e configurou “interferência indevida” na liberdade de imprensa.
Durante seus comentários, Malu Gaspar classificou o cenário como “surreal” e “inaceitável”, sustentando que o Judiciário ultrapassou seus limites institucionais ao interferir diretamente nas regras e na dinâmica do evento a três dias do primeiro turno. Em tom incisivo, a jornalista afirmou que magistrados com inclinações de militância deveriam mudar de posicionamento público: “Tirem a toga e vão fazer campanha”.
As decisões que travaram o debate
O impasse nos estúdios do Projac foi desencadeado por duas determinações judiciais emitidas no final da noite:
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Inclusão de candidato: O ministro do STF Gilmar Mendes atendeu a um recurso do partido Solidariedade e ordenou que a emissora garantisse a participação de Renan Santos (Missão) no programa.
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Proibição do púlpito vazio: A ministra Estela Aranha, do TSE, acatou um pedido da campanha do PT e proibiu a TV Globo de exibir a bancada vazia que seria destinada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia decidido não comparecer ao encontro.
Diante do conflito de decisões e da impossibilidade técnica e editorial de readequar a estrutura do programa em cima da hora, a direção da emissora optou por cancelar o evento.
Reação dos candidatos nos estúdios
O cancelamento provocou revolta imediata nos postulantes ao Planalto que já se encontravam nas dependências da emissora. Os adversários políticos direcionaram críticas severas tanto à atuação dos tribunais quanto à ausência do atual chefe do Executivo.
Flávio Bolsonaro definiu o episódio como uma violação às garantias democráticas. “Poucos minutos antes de iniciar o debate da Globo […] vem uma decisão, ou várias decisões, que corroboram com censura”, declarou.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), questionou a imparcialidade das instâncias superiores: “Nós estamos vendo a Justiça a serviço do Lula”. Na mesma linha, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), classificou a situação como um “atentado à democracia” e responsabilizou a campanha governista pelo impasse.
Em tom sarcástico sobre o conturbado desfecho, Augusto Cury (Avante) ironizou o cenário político ao questionar se “o teatro da política precisa de um psiquiatra”.
