
A Rede Globo cancelou o debate entre os candidatos à Presidência da República que seria realizado na noite desta quinta-feira (1º/10), a apenas três dias do primeiro turno das eleições. O anúncio ocorreu a menos de uma hora do horário previsto para o início do programa, motivado por sucessivas determinações judiciais tomadas em cima da hora.
Em nota oficial, a emissora alegou que as decisões liminares geraram “insegurança jurídica” e configuraram uma “interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”.
As decisões judiciais que travaram o evento
O cancelamento foi impulsionado por dois despachos judiciais distintos:
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Inclusão de candidato: O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um pedido formulado pelo partido Solidariedade e determinou que a emissora garantisse a participação de Renan Santos, candidato do partido Missão. Mais cedo, a sigla havia ingressado com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) com o mesmo objetivo, cuja apreciação havia sido negada pela relatora, ministra Cármen Lúcia.
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Proibição do púlpito vazio: A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acatou uma representação do PT para proibir a TV Globo de exibir o púlpito que seria destinado ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, que havia decidido não comparecer ao encontro. Em sua decisão, a magistrada argumentou que a exibição do espaço vazio e a possibilidade de perguntas direcionadas ao ausente poderiam causar um “desequilíbrio” na disputa.
Reação inflamada dos presidenciáveis
A decisão de suspender o debate provocou forte reação dos adversários políticos presentes nos estúdios da emissora, que direcionaram críticas tanto ao Poder Judiciário quanto ao presidente Lula.
Flávio Bolsonaro classificou o cenário como uma violação às garantias democráticas:
“Poucos minutos antes de iniciar o debate da Globo, onde milhões de pessoas estavam aguardando ansiosamente para comparar as propostas dos candidatos e escolherem o seu candidato […] vem uma decisão, ou várias decisões, que corroboram com censura.”
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi direto ao criticar a atuação dos tribunais:
“Nós estamos vendo a Justiça a serviço do Lula.”
Em nota, a assessoria de Zema acrescentou que os posicionamentos da Suprema Corte representam “um desrespeito a milhões de brasileiros que esperavam a oportunidade de conhecer e comparar as propostas dos candidatos”.
Já o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), classificou o episódio como um “atentado à democracia” e atribuiu a responsabilidade do impasse ao atual chefe do Executivo:
“O Lula provocou tudo isso. Ele foi provocado pelo Flávio na minha cidade, em Goiânia, dizendo ‘vai lá que eu vou lhe enfrentar’. E bateu em retirada.”
Caiado sustentou ainda que a atuação do Judiciário representa a “destruição do processo eleitoral no país” e que Lula “atuou desde o começo da campanha para interditar o debate e evitar que o Brasil discutisse seu desgoverno”.
Outros candidatos também se manifestaram na chegada à sala de imprensa. Augusto Cury (Avante) ironizou o impasse do processo eleitoral questionando se “o teatro da política precisa de um psiquiatra”.
Sem a realização do debate televisivo de maior audiência da campanha, os candidatos seguem para a reta final da disputa sem o confronto direto na antevéspera da votação.
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