
Uma reportagem exibida pelo Jornal Nacional revelou detalhes inéditos de um relatório da Polícia Federal que complica a situação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. De acordo com os investigadores, foram encontradas 52 mensagens enviadas a Moraes pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no período entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025 — data em que o banqueiro foi preso pela primeira vez.
Além das trocas de mensagens, a PF afirma no documento que Alexandre de Moraes atuou diretamente na edição do contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua própria esposa.
Pedidos de ajuda e consulta sobre fuga
Segundo a Polícia Federal, as conversas revelam uma rotina de proximidade e tentativas diretas de interferência no andamento das investigações contra o Banco Master, que já era alvo das autoridades na época.
Em uma das mensagens mais graves, enviada apenas dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou expressamente ao ministro se deveria deixar o Brasil. O relatório da PF indica ainda que o banqueiro pediu ajuda a Moraes para conter o avanço das ações conduzidas pela própria Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF). Ao todo, os investigadores mapearam oito encontros presenciais entre os dois.
A ponte via ex-ministro e dinâmica de mensagens secretas
A investigação aponta que a ponte entre o banqueiro e o magistrado foi feita pelo ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fábio Faria. Em 26 de dezembro de 2023, Faria teria compartilhado pelo WhatsApp os contatos telefônicos de Moraes — salvos no dispositivo sob os nomes “Alexandre de Moraes Brasília”, “Novo”, “STF TSE Novo” e “Eu STF”, todos vinculados ao mesmo número.
No dia seguinte, Faria intermediou um almoço em Campos do Jordão (SP), no hotel Six Senses Botanique. Registros recuperados mostram Vorcaro orientando seus funcionários sobre a chegada da comitiva de “Alex” ao local.
Para tentar burlar a fiscalização, o dono do Banco Master utilizava uma tática específica para se comunicar com o ministro:
Bloco de notas e prints: Vorcaro redigia os textos no bloco de notas do celular e tirava capturas de tela (prints).
Visualização única:
As imagens eram enviadas pelo WhatsApp no modo temporário (que se apaga após ser visualizado).
Respostas no mesmo formato: A PF afirma que Moraes utilizava a mesma dinâmica para responder.
Embora o conteúdo enviado pelo ministro não tenha sido recuperado — uma vez que os dados ficam gravados apenas no aparelho do remetente e o celular do magistrado não foi apreendido —, as 52 mensagens de Vorcaro continuavam acessíveis em seu próprio telefone, apreendido no momento de sua prisão.
