
Dona do Ragazzo e Tendall Grill coloca a culpa nos juros altos, na queda do movimento nas lojas e na crise pós-pandemia; saiba se as lanchonetes vão fechar e o que acontece agora.
Famoso pelas esfihas baratas e por estar presente na vida dos brasileiros há quase 40 anos, o Grupo Gennius — dono do Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill — está passando pelo seu momento mais difícil. A empresa pediu ajuda à Justiça de São Paulo para organizar uma dívida gigante de R$ 265,2 milhões e evitar a falência.
Apesar do susto, as lojas continuam de portas abertas. Em nota, a rede informou que os restaurantes vão funcionar normalmente, sem afetar as lanchonetes, os entregadores ou os clientes.
Por que a conta não fechou?
O grupo, que conta com 119 lojas próprias do Habib’s, 26 do Ragazzo e seis churrascarias, apontou três grandes culpados para o buraco nas contas:
Efeito da pandemia: Os longos meses de portas fechadas e restrições deixaram um prejuízo difícil de recuperar;
Febre dos apps de delivery: O hábito de pedir comida em casa cresceu muito, o que esvaziou os salões das lojas físicas;
Juros nas alturas: Com a taxa Selic nas alturas, disparando de 4% para perto de 15%, os empréstimos e a rolagem das dívidas ficaram caríssimos.
Para quem o Habib’s deve?
A dívida total de R$ 265,2 milhões está dividida em três frentes:
Bancos e grandes fornecedores: R$ 241,7 milhões;
Dívidas trabalhistas: R$ 22,3 milhões;
Pequenos fornecedores (microempresas): R$ 1,1 milhão.
O que acontece a partir de agora?
Com o pedido aceito pela Justiça, as cobranças de dívidas ficam congeladas por um tempo para dar fôlego à rede. A consultoria KPMG foi escalada pelo juiz para fiscalizar as contas da empresa.
Agora, a corrida é contra o relógio: o Habib’s tem até 60 dias para apresentar um plano detalhado mostrando como pretende cortar custos e pagar o que deve. Essa proposta será votada pelos credores. Se o plano for aceito, a empresa ganha anos para quitar os débitos sob supervisão do juiz. Se for rejeitado, a rede pode ter a falência decretada.
