
O óbito de Orelha, o cão comunitário que era símbolo de doçura na Praia Brava, em Santa Catarina, ganhou um novo capítulo de comoção nas redes sociais. Um vídeo gerado por Inteligência Artificial (IA) viralizou ao projetar um final digno para o animal: no registro, Orelha é recebido no céu com um abraço por Jesus Cristo. O tributo digital tornou-se um refúgio para moradores e internautas que buscam justiça e paz após o crime brutal que chocou a capital catarinense.
O luto que virou arte digital
Orelha tinha cerca de 10 anos e era um dos três “mascotes” que possuíam casinhas fixas na Praia Brava. Seu óbito, ocorrido após ser encontrado agonizando com ferimentos graves no dia 15 de janeiro, gerou uma onda de indignação que transpôs o bairro nobre de Florianópolis.
A homenagem em vídeo, que utiliza tecnologia de IA para simular o “encontro divino”, reflete o sentimento da comunidade. “Ele era parte do nosso cotidiano, um símbolo de cuidado compartilhado”, afirma a Associação de Moradores. Para quem convivia com o animal, o vídeo representa o encerramento que a violência do mundo real não permitiu.
Investigação e Operação Policial
Enquanto as homenagens circulam, o trabalho da Polícia Civil avança. Nesta segunda-feira (26), uma operação cumpriu três mandados de busca e apreensão. O foco agora não recai apenas sobre os quatro adolescentes suspeitos das agressões, mas também sobre três adultos — familiares dos jovens — suspeitos de coação no curso do processo.
-
Coação: A polícia investiga se houve ameaças contra testemunhas para interferir no resultado do inquérito.
-
Envolvimento de Agente: A delegada Mardjoli Valcareggi apura a denúncia de que um policial civil, pai de um dos suspeitos, teria coagido uma testemunha. Embora o envolvimento direto no crime contra o cão tenha sido descartado pela polícia, a conduta de ameaça está sob análise.
-
Paradeiro dos Suspeitos: Dos quatro adolescentes identificados, dois permanecem em Florianópolis e tiveram aparelhos eletrônicos apreendidos. Os outros dois estão em uma viagem pré-programada aos Estados Unidos.
“Precisamos de Justiça”
Orelha era cuidado por moradores como o aposentado Mário Rogério Prestes e o empresário Silvio Gasperin, que se emocionou ao relembrar o momento em que o animal foi resgatado, já sem chances de sobrevivência. Diante da gravidade do estado de saúde, a eutanásia foi a única via para cessar o sofrimento do cão.
O crime de maus-tratos, somado às investigações de coação (Art. 344 do Código Penal), segue acompanhado de perto pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Para os moradores, a esperança é que a repercussão gerada pelo vídeo de IA ajude a manter o caso em evidência até que as responsabilidades sejam devidamente apuradas.
Ver essa foto no Instagram
