
O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, subiu o tom neste sábado (03/01) contra a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. Em declaração contundente, Boulos classificou o ataque e o sequestro do presidente Nicolás Maduro como a ação imperialista mais grave da história recente do continente e acha que as motivações econômicas estão por trás da ofensiva de Washington.
“O ataque dos EUA à Venezuela é a ação imperialista mais grave que já vivenciamos. Alguém acha que Trump está preocupado com democracia? Ele quer petróleo”, declarou o ministro. Para Boulos, a justificativa democrática utilizada pelo governo de Donald Trump é apenas uma “cortina de fumaça” para o controle das maiores reservas de petróleo do mundo, localizadas em território venezuelano.
“Doutrina Monroe”
O ministro destacou que a gravidade da ação reside não apenas no ataque direto, mas no precedente que ele estabelece para a soberania regional. Segundo Boulos, a estratégia norte-americana visa ressuscitar a Doutrina Monroe — política do século XIX sintetizada pelo lema “América para os americanos”, frequentemente interpretada como “América para os estadunidenses”.
“Usa a Venezuela como precedente para uma nova Doutrina Monroe que ameaça toda a América Latina. Nem na Guerra Fria houve uma ação militar direta dos EUA em nosso continente com sequestro de um chefe de Estado”, disse o ministro.
A crítica de Boulos ocorre em um momento de extrema tensão diplomática, após forças especiais dos EUA realizarem uma incursão em Caracas que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A ação foi condenada por diversos líderes da região, que veem no ato uma violação flagrante do direito internacional.

Apelo à Unidade
Ao finalizar sua declaração, o ministro da Secretaria Geral fez um chamado aos governos vizinhos para que formem uma frente de resistência diplomática. Boulos defende que a estabilidade da América Latina depende de uma resposta firme contra o que chamou de “governo criminoso de Donald Trump”.
“É momento de unidade latino-americana em apoio total ao povo da Venezuela e em rechaço ao governo criminoso de Donald Trump!”, concluiu. O posicionamento de Boulos reforça a linha crítica que parte do governo brasileiro tem adotado, contrastando com o silêncio ou apoio de outras nações do continente diante da deposição forçada do regime venezuelano.
Entenda o Conceito
A Doutrina Monroe, citada pelo ministro, foi estabelecida em 1823 e serviu como base para diversas intervenções dos EUA na América Latina ao longo do século XX. O retorno dessa retórica no governo Trump em 2026 tem gerado temor de uma nova era de intervenções militares diretas no “quintal” de Washington.
Leia a íntegra da nota publicada pelo ministro em usas redes sociais:
“O ataque dos EUA à Venezuela é a ação imperialista mais grave que já vivenciamos. Alguém acha que Trump está preocupado com democracia? Ele quer petróleo.
E mais: usa a Venezuela como precedente para uma nova Doutrina Monroe que ameaça toda a América Latina. Nem na Guerra Fria houve uma ação militar direta dos EUA em nosso continente. Ainda mais com sequestro de um chefe de Estado.
É momento de unidade latino-americana em apoio total ao povo da Venezuela e em rechaço ao governo criminoso de Donald Trump”
