Bancada de oposição em Santo André quer investigar licitação das fraldas que foi alvo da operação da PF; presidente da Câmara rebate e nega manobra

A vereadora e pré-candidata a prefeita pelo PT de Santo André, Bete Siraque, usou as redes sociais para dizer que ausência da base governista na sessão da Câmara de nesta terça-feira (01/09) foi uma manobra dos governistas para impedir que a bancada de oposição protocolasse um requerimento para a instalação de uma CPI, cujo objetivo é investigar denúncia de suposta compra de fraldas superfaturadas pela prefeitura de Santo André.
De acordo com Bete Siraque, a situação é grave por ocorrer em meio à pandemia, com mais de 15 mil casos de covid-19 na cidade e quase 500 mortes. “Não vamos desistir. Na quinta-feira (03/09), voltaremos à Câmara para protocolar esse pedido de CPI”, afirmou Bete.
“Na semana passada, a Polícia Federal esteve na cidade para cumprir três mandados de busca e apreensão. O inquérito policial apura contratação emergencial de 689 mil fraldas descartáveis no valor de R$ 1.391.970,00. A Controladoria Geral da União estima um sobrepreço de R$ 616.530,00. Além disso, a PF apura outras irregularidades, como fraude ao caráter competitivo de licitação e crimes de corrupção e peculato”, diz nota enviada pela assessoria da parlamentar.
O presidente da Câmara, Pedrinho Botaro, rebateu a parlamentar e afirmou que apesar de não ter havido quórum, não foi manobra da base para impedir o protocolo do pedido de CPI. “A oposição não tinha assinaturas suficientes para apresentar o requerimento. Até as 15 horas apenas cinco vereadores tinham assinado e são necessárias sete adesões”, afirmou Pedrinho.
Na semana passada, a prefeitura emitiu nota e diz que agiu dentro da lei e que vai apurar o fato. Disse ainda que não pagou nada à empresa. Leia a íntegra da nota:
“PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ AGE COM RIGOR SOBRE FORNECEDORES
A Prefeitura de Santo André ressalta que não pagou absolutamente nada a esses fornecedores pela compra dos insumos.
Afirmamos que, por parte do Poder Público, o processo foi regido exatamente como especifica a legislação, sendo aprovado inclusive pelo TCE-SP – Tribunal de Contas do Estado de SP e com o preço de mercado.
A Prefeitura reforça, ainda, que vai apurar as acusações sobre esses fornecedores e que, se constatadas as irregularidades, atuará para que os responsáveis respondam no rigor da Lei.
É inadmissível que pessoas usem a pandemia para tirar qualquer tipo proveito ou vantagem econômica. Vamos investigar esta denúncia com total rigor.
O pagamento a esses fornecedores só ocorrerá após o fim das investigações. Ou seja, nenhum centavo será pago até que essa investigação seja concluída”.