15 de junho de 2021

Atleta de Mauá pode representar o Brasil na paralimpíada de Tóquio

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Ivanilson Idalino da Silva, o Son, estará concentrado a partir desta terça-feira (11/05) com a seleção brasileira de goalball; convocação final deve sair em julho

Son joga pelo Sesi-SP e conta com outros patrocínios que o mantêm como atleta profissional e garantem uma vida totalmente voltada para o esporte. Foto: Arquivo pessoal

A semana começa com gostinho especial para o atleta mauaense Ivanilson Idalino Silva, o Son. Atleta do Sesi-SP, nesta terça-feira (11/05), ele segue com a Seleção Brasileira de goalball para mais uma fase de treinos no CT (centro de treinamento) paralímpico, onde ficará concentrado até o dia 21.

De olho na convocação para Tóquio, aos 30 anos o jogador tem vivido um misto de expectativa e ansiedade já que os nomes que representarão o país na disputa da paralimpíada devem ser definidos até o início de julho. “Minhas convocações para a seleção começaram em 2019 e, em virtude da pandemia, nunca tive chance de jogar internacionalmente”, disse. Son, que atualmente joga pelo time do Sesi-SP, compõe um elenco com outros atletas de idades entre 24 e 40 anos na Seleção, dos quais apenas seis vestirão a camisa amarela em terras japonesas.

No CT, a rotina seguirá intensa com alternâncias entre dois treinos técnicos em quadra e um físico por dia ou dois físicos e um técnico além de reforços na fisioterapia, de acordo com as necessidades observadas pelo professor Alessandro Tosim, técnico da seleção.

Antes instalarem-se no centro de treinamento, que segue todas as normas sanitárias de segurança em virtude da pandemia, os atletas tiveram de apresentar testes negativos para Covid-19. Durante os 11 dias em que permanecerão em treinos, não poderão sair nem ter contato com a família ou pessoas de fora. Uma nova e última fase de treinos deve acontecer a partir do dia 20 de junho.

O esporte

Diferente de outras modalidades paralímpicas, o goalball não é um esporte adaptado, já que foi desenvolvido exclusivamente para pessoas com deficiência visual.
As partidas, realizadas em dois tempos de 12 minutos (com 3 de intervalo), acontecem em uma quadra com as mesmas dimensões das de vôlei (9 metros de largura por 18 metros de comprimento). Cada equipe conta com três jogadores titulares e três reservas. Com o objetivo de finalizar em um gol, o arremesso deve ser rasteiro ou tocar pelo menos uma vez das áreas obrigatórias.

Por serem ao mesmo tempo arremessadores e defensores, quem vê de fora pode pensar que os atletas devem ter apenas braços fortes para atingirem um bom desempenho na modalidade. Son explica que além de muita força de membros superiores e inferiores, um bom preparo psicológico é o que faz a diferença. “A gente recebe bolada no corpo inteiro, mas o mais importante é a parte psicológica. É preciso prestar atenção a tudo em sua volta”, disse.

Com circunferência que lembra a de uma bola de basquete, a bola de goalball pesa 1,250 kg mas não é cheia de ar e tem um guizo em seu interior para que os jogadores saibam a direção.

Por ser um esporte baseado nas percepções tátil e auditiva, não pode haver barulho algum no ginásio durante a partida exceto nos momentos entre o gol e o reinício do jogo e nas paradas oficiais.

Pivô da seleção, Son nasceu com uma doença chamada retinose pigmetar, que afeta as células da retina. Hoje considerado um B3, classe de atletas que conseguem definir imagens, Son explica que pode com o tempo ser enquadrado em outra classe, já que com o passar do tempo, mais células podem ser afetadas.

Nesta modalidade, atletas B1 (cegos totais ou com percepção de luz, mas sem reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância), B2 (atletas com percepção de vultos) e B3 competem juntos e todos utilizam uma venda nos olhos durante as partidas para que todos possam competir em condições de igualdade.
O início

Foi com quase 18 anos que Son conheceu o goalball através de um professor da ONG onde fazia um curso que o preparava para o mercado de trabalho. Desde então, o atleta teve contato com outros esportes paralímpicos mas a paixão pelo esporte que viraria profissão falou mais alto.

Além de jogar pelo Sesi-SP, hoje Son tem outros patrocínios que o mantêm como atleta profissional e que garantem uma vida totalmente voltada para o esporte.
A parte “boa” da pandemia, de acordo com Son, foi poder ficar mais perto da esposa Marcia, acompanhar a alfabetização da filha Lorena, prestes a completar 6 anos, e “enlouquecer” com as bagunças do cachorrinho Bob, um shitzu cheio de energia. Durante a mini-temporada no CT, as ligações ajudarão a matar a saudade da turma toda.

Chaves

Apesar de não estar com a equipe definida, o Brasil já sabe quem serão seus primeiros adversários na paralimpíada de Tóquio. As chaves foram definidas nesta segunda-feira (10/05). O grupo A (masculino), do Brasil, também estão Argélia, Estados Unidos, Japão e Lituânia. O grupo B terá Alemanha, Bélgica, Ucrânia, China e Turquia.

Pivô da seleção, Son parte para a penúltima fase de treinos antes da convocação final. Foto: Renan Cacioli/ CBDV

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2 COMENTÁRIOS

  1. Esse com certeza é um grande atleta que o nosso Brasil pode contar! Parabéns pela matéria, ficou ótima!

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