
O Corinthians novamente não cumpriu o acordo estabelecido com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Uma obrigação previdenciária de aproximadamente R$ 2 milhões, com vencimento no dia 30 de outubro, não foi quitada, e esse montante foi adicionado a cerca de R$ 24 milhões que já estavam em atraso em débitos não previdenciários. A quantia de inadimplência atingiu R$ 26 milhões — e essa situação compromete um contrato que tirou o clube de uma dívida que ultrapassava R$ 1,2 bilhão.
O que está em questão
O contrato com a PGFN foi assinado em setembro do ano passado e garantiu ao Corinthians um desconto de 46% sobre o passivo total, reduzindo a obrigação para R$ 679 milhões a serem pagos em 120 parcelas mensais. A operação representou uma redução de R$ 200 milhões no valor original da dívida. O clube cumpriu as prestações entre fevereiro e maio — e depois começou a atrasar.
As consequências de uma rescisão seriam severas. A PGFN pode executar as garantias do contrato: o Parque São Jorge, avaliado em mais de R$ 600 milhões, e valores a receber pela Timemania. A dívida voltaria ao montante original, e o Corinthians ficaria impedido de realizar novos acordos de parcelamento por dois anos.
Até agora, a Procuradoria não tomou nenhuma providência para rescindir o contrato, mas o risco é real e cresce a cada parcela não paga.
Crise vai além da PGFN
As dificuldades financeiras do clube extrapolam o acordo federal. O Corinthians acumula três meses de atraso no pagamento de direitos de imagem aos jogadores e ainda tem pendências relacionadas a premiações. Em campo, o time luta para escapar do rebaixamento no Brasileirão — uma combinação de pressão financeira e esportiva que complica ainda mais a gestão.
