
A intervenção no Ueno Bank provocou uma crise que também atingiu a CONMEBOL. A confederação sul-americana de futebol, com sede em Luque, tinha aproximadamente R$ 77 milhões depositados no banco — dinheiro oriundo de contratos de patrocínio da Copa Sul-Americana. A confederação admitiu a exposição, mas afastou perigos para as grandes finais de 2026.
CONMEBOL afirma que impacto é mínimo
A entidade tratou o episódio como pouco relevante diante do seu volume de receitas. Os R$ 77 milhões correspondem a aproximadamente 2,5% do faturamento anual da confederação, que registrou cerca de R$ 2,1 bilhões em 2025. Com base nesses números, a CONMEBOL afirmou que não vê ameaças ao andamento das competições e às finais previstas para o próximo ano.
A situação é ainda mais delicada pelo fato de o Paraguai contar com um fundo de garantia de crédito bastante limitado. Em caso de quebra de instituição financeira, o mecanismo de proteção aos depositantes cobre apenas 228 milhões de guaranis — pouco mais de R$ 203 mil —, valor muito abaixo dos depósitos da CONMEBOL na instituição.
A crise que paralisou o sistema financeiro paraguaio
O colapso do Ueno Bank começou quando o Banco Central do Paraguai detectou irregularidades no índice de solvência da instituição, que havia caído para menos da metade do mínimo exigido por lei. A constatação levou à intervenção e à suspensão das operações do banco.
As consequências foram imediatas para os clientes. Com cerca de 2,9 milhões de correntistas em um país de aproximadamente 6,4 milhões de habitantes, a paralisação do banco deixou uma fatia enorme da população sem acesso às contas. Filas em agências e manifestações de clientes tomaram as ruas em busca de respostas sobre o destino das economias depositadas.
Renúncias
A crise também teve desdobramentos políticos. Carlos Carvallo deixou a presidência do Banco Central após um pedido do presidente paraguaio, Santiago Peña, que também renunciou em seguida. Tanto Carvallo quanto o próprio presidente Peña haviam trabalhado no Ueno Bank antes de assumirem seus cargos atuais — o que intensificou as críticas sobre possíveis conflitos de interesse na condução da crise.
