
O ministro do Trabalho e Emprego, o ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho, desponta como um dos nomes mais fortes para assumir a chefia de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Considerado um posto altamente estratégico dentro do Palácio do Planalto, o cargo tem como principais funções a filtragem das prioridades governamentais e a organização final da agenda do chefe do Executivo.
A indicação de Marinho é abertamente defendida por setores do Partido dos Trabalhadores que veem a necessidade de um chefe de gabinete “sênior” — alguém com peso político e autoridade para discordar do presidente quando necessário. O modelo pretendido é o do ex-ministro Gilberto Carvalho, que atuou na mesma função nos dois primeiros mandatos de Lula.
Marinho nega pleitear o cargo, mas se coloca à disposição de Lula
Apesar de ser o preferido da ala veterana do partido, Luiz Marinho tem sinalizado a interlocutores que não faz movimentos nem tem o interesse pessoal de migrar para a chefia de gabinete. No entanto, por sua relação de longa data e lealdade ao presidente, o ministro ressalta que está inteiramente à disposição para cumprir a missão que Lula determinar.
Experiência política e trajetória no ABC
A busca por um perfil experiente reflete a resistência interna no PT a outros nomes especulados para o cargo, como o do secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, de 41 anos, ligado à primeira-dama Janja da Silva.
Luiz Marinho é um dos aliados mais antigos e próximos de Lula. A relação entre ambos remonta às greves operárias do final da década de 1970 no ABC Paulista, onde ambos construíram sua trajetória sindical. Além da atuação no movimento trabalhista, Marinho possui ampla bagagem na gestão pública:
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Prefeitura de São Bernardo do Campo: Governou o município por dois mandatos consecutivos, de 2009 a 2016.
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Ministério do Trabalho: Comandou a pasta entre 2005 e 2007.
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Ministério da Previdência Social: Esteve à frente do ministério de 2007 a 2008.
Deputado federal licenciado, Marinho atendeu a um pedido direto de Lula para não disputar a reeleição no último pleito, ficando à disposição para a composição da equipe governamental.
Mudanças no comando do gabinete
Atualmente, o gabinete pessoal do presidente é chefiado por Oswaldo Malatesta. Durante a maior parte do atual mandato — três anos e meio —, o posto foi ocupado pelo cientista político Marco Aurélio Ribeiro, o “Marcola”. Aos 40 anos, Marcola era um dos auxiliares mais jovens da equipe de confiança de Lula.
Em julho, Marcola deixou a chefia do gabinete e foi transferido para a campanha eleitoral após confidenciar ao presidente ter solicitado um empréstimo pessoal à lobista Roberta Luchsinger. Quando a situação tornou-se pública, o cientista político se afastou das atividades políticas do governo.
