
O Corinthians pode deixar de contar com mais uma fonte de receita no meio da maior crise financeira que o clube já enfrentou. A Esportes da Sorte, que é a patrocinadora máster do clube desde 2023, expressou a intenção de antecipar o término do contrato. O acordo, que tinha um valor de R$ 150 milhões anuais, estava previsto para durar até o final de 2029. O vínculo ficou suspenso desde a publicação da Medida Provisória que limitou a divulgação de casas de apostas.
Diretoria do Corinthians quer entender os motivos antes de agir
A cúpula alvinegra planeja se reunir com representantes da Esportes da Sorte para compreender as razões do pedido de rescisão e avaliar os próximos passos. A eventual perda do acordo agravaria um cenário já delicado: o Corinthians acumula déficit superior a R$ 240 milhões na temporada.
Shopee e Jota.ai como alternativas temporárias
Para cobrir o espaço máster enquanto a situação com a Esportes da Sorte não se resolve, o clube fechou acordos emergenciais. A Shopee estampará a camisa nos nove jogos restantes do Brasileirão, com projeção de receita mínima de R$ 1 milhão por partida — total estimado de R$ 9 milhões até o encerramento da competição. A parceria inclui exposição nos painéis da Neo Química Arena, nas plataformas digitais e em ações de venda de camisas.
Já a Jota.ai assinou contrato com o clube até o fim do ano, prevendo arrecadação de R$ 3 milhões: R$ 1 milhão pelo espaço máster no duelo contra o Internacional e R$ 2 milhões pela barra frontal inferior da camisa nos demais jogos.
Os dois acordos somados ficam muito abaixo dos R$ 150 milhões anuais garantidos pela Esportes da Sorte — o que amplia a preocupação com o planejamento financeiro para 2027 e além.
O cenário das bets e o STF
A situação do Corinthians reflete um problema maior no futebol brasileiro. A Medida Provisória nº 1.394/2026 restringiu a publicidade de empresas de apostas esportivas, afetando contratos que somavam mais de R$ 900 milhões fixos por temporada entre os clubes da Série A. Dos 20 participantes do Brasileirão, 13 tinham casas de apostas como patrocinadoras. Parte dos acordos foi suspensa; outros chegaram ao fim antes do previsto.
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, marcou para 3 de novembro uma audiência com representantes do governo, dos clubes e do setor de apostas para discutir o impacto das restrições. A MP também está na pauta do Congresso Nacional para análise em novembro.
