
O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL-SP), de 53 anos, foi detido na madrugada desta segunda-feira (19/10) após se envolver em uma confusão e efetuar um disparo de arma de fogo no interior de uma casa noturna no bairro do Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo. De acordo com relatos de testemunhas, o parlamentar apresentava sinais de embriaguez e estaria importunando frequentadores do local. Durante um desentendimento, ele caiu no chão, momento em que a arma disparou acidentalmente.
Após o episódio, a Polícia Militar foi acionada e conduziu o deputado ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros. A arma de fogo — para a qual o parlamentar possui porte federal regularizado — foi apreendida para a realização de perícia técnica. Por ter imunidade parlamentar, Marcelo Aguiar não permaneceu preso após prestar depoimento.
Além do incidente com o armamento, a ocorrência registrou uma irregularidade no veículo do parlamentar: o carro utilizado por Aguiar ostentava uma placa oficial da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) que não possui cadastro formal nos registros do Poder Legislativo.
Do gospel à política paulista
Natural de São Paulo, Marcelo Theodoro de Aguiar iniciou a vida pública na música sertaneja antes de migrar para a cena gospel, ganhando visibilidade nacional ao integrar o grupo Renascer Praise, da Igreja Renascer em Cristo. Entre os seus sucessos mais conhecidos no meio evangélico estão as canções “Me dá poder de filho” e “Eis-me aqui”.
A trajetória política começou em 2008, quando foi eleito vereador da capital paulista pelo PSC. Dois anos depois, alcançou o posto de deputado federal pelo DEM, mandato no qual se destacou ao apresentar um projeto de lei voltado ao bloqueio do acesso gratuito de menores de idade a conteúdos pornográficos na internet.
Nas eleições estaduais de 2022, obteve 42.898 votos e ficou na suplência, assumindo a cadeira na Alesp apenas no início de 2025, após a renúncia do titular Helinho Zanatta (PSD), eleito prefeito de Piracicaba. Na Alesp, integra a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) e foca sua atuação na pauta dos costumes e na defesa da família tradicional. No pleito mais recente, em que fez dobradinha com o pastor Marco Feliciano (PL), obteve 37.585 votos e não conseguiu se reeleger, retornando à suplência para a próxima legislatura.
Atividade de campanha e o que diz a defesa
Em nota oficial, a assessoria de imprensa do deputado negou que ele tenha sido preso, afirmando que o parlamentar esteve no distrito policial voluntariamente para prestar esclarecimentos e que foi liberado em seguida. A defesa sustenta que Aguiar estava sob efeito de medicamentos de uso contínuo de tarja preta, os quais teriam provocado uma forte reação adversa, culminando no desentendimento.
A equipe do parlamentar informou que ele se encontra em repouso domiciliar e passará por avaliação médica, reiterando total confiança nas investigações e no esclarecimento completo dos fatos pela Justiça.
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