Santos e Corinthians praticam “estelionato esportivo”, dispara presidente do Cuiabá. Foto: Raul Baretta / Santos
Em entrevista concedida à ESPN, o presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, adotou tom duro contra Santos e Corinthians para criticar a gestão financeira e a falta de punições severas no futebol brasileiro. Com mais de R$ 40 milhões a receber de outros clubes do país, o dirigente defendeu a perda de pontos no Campeonato Brasileiro para devedores e classificou como “estelionato esportivo” a conduta de equipes que descumprem acordos financeiros enquanto seguem investindo pesado na montagem de seus elencos.
Defesa de perda de pontos e críticas à ineficácia do transfer ban
Para o mandatário do Dourado, as sanções atuais impostas pela FIFA e pela CNRD já não exercem o efeito coercitivo necessário sobre as gestões inadimplentes:
Insuficiência do bloqueio de registros: Dresch argumenta que o transfer ban perdeu o poder de inibir calotes no mercado nacional.
Perda de pontos na tabela: O dirigente defende que a punição na pontuação do campeonato é o único mecanismo capaz de forçar o cumprimento dos acordos.
Exemplo sobre o Corinthians: Na visão de Dresch, caso o Timão corresse o risco real de perder três pontos no Brasileirão por conta do atraso nas parcelas da compra de Raniele, o débito já teria sido quitado.
Acusações de “estelionato esportivo” e desequilíbrio na Série A
O presidente do Cuiabá enfatizou o impacto nocivo do descumprimento de dívidas na integridade das competições nacionais, citando nominalmente Santos e Vasco. Segundo Dresch, clubes que mantêm compromissos em dia — como Mirassol e Remo — acabam prejudicados esportivamente na luta contra o rebaixamento enquanto devedores recorrentes garantem a permanência na elite sem honrar seus débitos.
O dirigente também apontou forte contradição nos investimentos recentes do Santos, questionando como uma equipe condenada a pagar R$ 18,6 milhões ao Cuiabá obtém recursos para fechar contratacoes de peso, como as de Everton Cebolinha e Arthur, que alteram diretamente o nível competitivo do torneio.
A condenação do Santos e o passivo milionário do Dourado
A manifestação do dirigente ocorre um dia após a CNRD condenar o Santos a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá. A pendência financeira arrasta-se desde a negociação do zagueiro Joaquim, em 2023, e engloba o repasse da mais-valia pela venda do atleta ao Tigres, do México. Mesmo após o Dourado conceder descontos expressivos e renegociar o montante em cinco parcelas, o Peixe quitou apenas o primeiro boleto.
Somados os débitos acumulados por Santos, Corinthians (inadimplente na parcela de julho por Raniele), Sport (R$ 6 milhões por Matheus Alexandre) e Grêmio, os créditos a receber do Cuiabá contra equipes brasileiras ultrapassam a marca de R$ 40 milhões.