Hugo Souza denuncia racismo na Argentina em jogo da Libertadores. Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
O empate sem gols entre Rosario Central e Corinthians, ocorrido na noite de quinta-feira (13), foi marcado por mais um caso de racismo contra brasileiros na Argentina. Ao longo do jogo, o goleiro Hugo Souza informou ao árbitro que estava sendo alvo de ofensas raciais por parte da torcida. A arbitragem acionou prontamente o protocolo antirracismo da Conmebol, que estabelece três níveis de intervenção, incluindo a suspensão da partida em situações extremas.
O caso não avançou além da primeira fase. Ángel Di María, ídolo argentino e jogador do Rosario Central, caminhou até as arquibancadas e pediu o fim das ofensas. A locução do estádio também emitiu um alerta pedindo que os torcedores parassem com os insultos.
O relato do goleiro Hugo Souza
Após a partida, Hugo Souza deu entrevista à ESPN e detalhou o que ouviu. “Infelizmente, toda vez que a gente vem jogar aqui, é assim. É durante o jogo inteiro, parece algo comum, mas não pode ser. É o jogo todo chamando de macaco, mono, negro de m****. É uma coisa que acontece frequentemente aqui na Argentina.”
O goleiro afirmou que fez o que estava ao alcance. “A única coisa que eu posso fazer é comunicar ao juiz, falar, porque, infelizmente, é um acontecimento que ocorre com frequência aqui. O que a gente tem que fazer é tentar manter a cabeça no jogo e torcer para que isso um dia mude.”
Na zona mista, Hugo fez questão de separar os atletas rivais da atitude da torcida. Segundo ele, os jogadores do Rosario Central não participaram dos insultos e ainda se solidarizaram, pedindo que as ofensas cessassem. Até o momento, nem a Conmebol nem o clube argentino se manifestaram oficialmente sobre o caso.