
O cenário sucessório ao Palácio dos Bandeirantes sofreu uma recomposição na última semana com as saídas consecutivas do deputado federal Kim Kataguiri (Missão) e do presidente estadual do PSDB, Paulo Serra, da corrida eleitoral pelo governo de São Paulo. Juntos, os dois nomes somavam quase 8% das intenções de voto no estado. No entanto, apesar de o novo desenho favorecer diretamente seu projeto de reeleição, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) preferiu adotar um tom de cautela e rechaçou o clima de otimismo exagerado.
Questionado pelo ABCD Jornal durante uma agenda pública se a debandada dos adversários de centro-direita e direita pavimenta o caminho para uma vitória líquida e certa logo no primeiro turno, Tarcísio foi categórico ao afastar o salto alto. “Não, a gente não pode achar isso, a gente tem que trabalhar”, afirmou o governador.
De acordo com o último levantamento da Paraná Pesquisas, Tarcísio liderava a disputa com 45,6% das intenções de voto, seguido por Fernando Haddad (PT), com 34,1%. Com a saída de Serra (4,6%) e Kataguiri (3,0%), a migração natural desse eleitorado pode, matematicamente, fazer o atual chefe do Executivo paulista ultrapassar a barreira dos 50% dos votos válidos em outubro.
Foco na gestão e acenos ao PSDB
Para se blindar do desgaste político e da polarização precoce, Tarcísio declarou que sua estratégia principal continuará sendo a entrega de resultados administrativos, evitando responder aos ataques da oposição.
“Eu tenho me dedicado integralmente à gestão do Estado. A gente tem fugido das provocações, tem fugido das agendas… A gente tá sendo muito agredido, muito atacado, e a gente não tá respondendo, a gente tá focado no trabalho. O que as pessoas querem? Elas querem entregas, querem ver o resultado”, pontuou Freitas, que aproveitou o momento para listar uma série de inaugurações recentes e futuras nas áreas de educação, transporte e saúde.
Apesar do discurso focado na gestão, o governador não escondeu o pragmatismo político nos bastidores e confirmou que já existem articulações avançadas para atrair o partido de Paulo Serra para a sua base de apoio. “O PSDB tem uma história e aí a gente já tem, sim, uma conversa com o PSDB. Me interessa muito ter o PSDB no nosso palanque, junto com o Cidadania, até a federação. Acho que agrega muito, agrega valor, e a gente vai buscar esse apoio, obviamente”, revelou Tarcísio.
Reconfiguração partidária
Sobre a desistência de Kim Kataguiri, Tarcísio demonstrou naturalidade em relação aos movimentos das siglas de direita. “O Missão tem um candidato hoje à Presidência da República e obviamente eles precisam dar suporte para esse candidato”, justificou, fazendo referência à estratégia nacional do partido Missão, que priorizará a pré-candidatura de Renan Santos ao Planalto.
Com as duas baixas consolidadas, a corrida pelo governo de São Paulo caminha para uma polarização antecipada e direta entre o bloco governista de Tarcísio de Freitas e o campo de oposição liderado pelo Partido dos Trabalhadores cujo candidato escolhido é Fernando Haddad.
