
Quase quatro anos depois, Tite ainda carrega a eliminação para a Croácia como uma ferida aberta. Em entrevista ao ge, o técnico assumiu o erro que o persegue desde as quartas de final da Copa do Mundo de 2022: ter deixado Neymar fora da primeira cobrança de pênalti.
Tite se questionou após a eliminação
“Todas as críticas feitas a mim pelo Neymar não ter batido o primeiro pênalti estão corretas. Eu errei. Isso asseguraria a vitória? Não sei. Mas ele deveria ter sido o primeiro batedor”, declarou.
A frustração vai além da decisão na marca da cal. Tite descreveu a incredulidade que tomou conta da comissão técnica quando a Croácia empatou a quatro minutos do fim da prorrogação. “Eu estava olhando o jogo, olhando o jogo… E assisti de novo ao jogo. Não teve nenhum lance de perigo maior da Croácia. Eu tenho o hábito de dizer que o campo fala, a bola fala. Naquele dia, o jogo não falou. O jogo escondeu.”
O golpe foi pessoal. “Mexeu de uma maneira diferente. E eu senti bastante, mais do que o normal. Eu questionei: ‘por que eu?’. A minha espiritualidade baixou e eu não conseguia entender. Eu dizia: ‘não é possível’. Criei uma expectativa particular muito grande, porque pegou duas Eliminatórias invictas. Assumi a Seleção na sexta posição na primeira e estava jogando a minha carreira. Nós terminamos em primeiro.”
Ele também destacou a força do elenco que comandava e a evolução até a fatídica partida. “Faz uma segunda Eliminatória, a maior pontuação da história, com nível de aproveitamento e de ajustes, com opções importantes. Tinha um grupo. A comissão técnica conversava, e eu dizia: ‘pô, a gente tem muitas opções’. Vini, Martinelli, Paquetá, bastante entre os lados.”
Tite está desempregado. Foi demitido do Cruzeiro após um mau começo no Brasileirão, embora tenha conquistado o Campeonato Mineiro. A entrevista ao ge marca a primeira vez em que ele se alonga tanto sobre o trauma da Croácia.
