
Um casamento realizado dentro de um hospital de São Bernardo do Campo emocionou familiares e profissionais de saúde nos últimos dias. Depois de 15 anos e 7 meses ao lado do companheiro, o gerente de projetos Leandro Iannelli, a paciente e professora Lígia de Souza Caffaro, de 41 anos, que enfrenta um câncer no pâncreas, realizou o sonho de se casar.
Mãe de três filhos, Lígia está internada no Hospital São Luiz, em São Bernardo. Em setembro de 2025, ela descobriu a doença e, desde então, passou por cirurgia e tratamento, mas o quadro avançou. Atualmente, ela enfrenta um estado de saúde delicado e tem indicação de uma cirurgia de grande porte nos próximos dias.
Segundo as informações, o pedido de casamento partiu da própria professora e a cerimônia foi organizada em poucos dias, com apoio da família e da equipe do hospital. O casamento foi realizado na última sexta-feira (24) e reuniu cerca de 30 pessoas, entre familiares, amigos próximos e profissionais de saúde.
Lígia e Leandro se conheceram por meio de uma amiga em comum e, ao longo dos anos, construíram a família com três filhas, de 4, 13 e 19 anos. “Fui pega de surpresa com o diagnóstico, um baque muito grande. Sempre tive o sonho de casar no religioso e decidi que queria viver esse momento agora, ao lado da minha família”, afirmou Ligia.
Os detalhes da cerimônia chamaram atenção. Devota de Nossa Senhora de Aparecida, a noiva levou referências religiosas para a celebração. Mesmo internada, ela contou com acompanhamento da equipe multidisciplinar para participar do momento, que foi marcado pela emoção dos presentes.
A cerimônia aconteceu dias antes de uma etapa decisiva do tratamento e transformou o ambiente hospitalar em cenário de despedida de uma fase e de reafirmação dos vínculos familiares.
Cerimônia
O espaço foi adaptado para receber o rito católico, com decoração, tapete vermelho e até uma banda formada por profissionais da unidade, um gesto que traduziu, em música, o cuidado e o envolvimento de todos.
“Temos um programa de humanização chamado ‘O que importa para você’ e, quando ela compartilhou esse desejo, nos organizamos para tornar possível em poucos dias. Mesmo diante do cenário clínico, era evidente o quanto ela estava feliz e engajada com esse momento”, destacou a médica Silvia Ramos.
Mesmo fragilizada, Ligia se preparou para o momento com acompanhamento da equipe multidisciplinar, incluindo fisioterapia, para garantir sua participação. Realizado na última sexta-feira (24), o casamento reuniu cerca de 30 pessoas, entre familiares, amigos próximos e profissionais de saúde, muitos deles presentes não apenas como cuidadores, mas como testemunhas de uma história marcada por afeto e resiliência.
“Mais do que tratar a doença, nosso compromisso é cuidar das pessoas em sua integralidade. Atender a um desejo como esse faz parte de um modelo assistencial que valoriza a escuta e o que realmente importa para o paciente”, destaca Claudilene Battistin, diretora geral da unidade.
Moradora de São Bernardo do Campo, Ligia é mãe de três filhas, de 4, 13 e 19 anos. O diagnóstico, recebido em setembro do ano passado, mudou completamente sua rotina. Mesmo com histórico familiar, a suspeita inicial não era de um quadro grave.
Com a persistência dos sintomas, ela procurou o pronto-socorro do Hospital São Luiz São Bernardo, onde exames de imagem identificaram o tumor, dando início à investigação e, posteriormente, ao tratamento.
“O tempo é o que temos de mais valioso. Aproveitar cada minuto para estar junto das pessoas que amamos é muito importante. O coração está apertado, mas com muita alegria”, destacou o noivo.
Câncer de pâncreas
O câncer de pâncreas é considerado um dos tumores mais agressivos, em grande parte por apresentar poucos sintomas nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. Entre os sinais mais comuns estão dor abdominal, perda de peso, icterícia (pele e olhos amarelados) e alterações digestivas. O órgão tem papel fundamental na digestão e na produção de hormônios importantes para o organismo.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse tipo de tumor representa de 1% a 2% dos casos diagnosticados no país, mas responde por cerca de 5% das mortes por câncer, principalmente devido à rápida progressão da doença e ao diagnóstico tardio. O tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia, a depender de cada caso.
Para a equipe da unidade, a cerimônia deixou um legado que vai além da assistência. “Foi um momento de muita emoção para todos nós. Participar da realização de um sonho em meio a um contexto tão delicado reforça o sentido do nosso trabalho”, complementou Silvia Ramos.
Inaugurado pela Rede D’Or em novembro, o Hospital São Luiz São Bernardo amplia a estrutura do tradicional Hospital Assunção, agora cinco vezes maior. A unidade conta com pronto-socorro completo, fluxos assistenciais modernos e serviços de alta complexidade, como Hemodinâmica, cirurgia robótica e Centro de Diagnósticos, aliados à tecnologia de ponta e cuidado humanizado.
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