
A demissão de Hernán Crespo do São Paulo, oficializada nesta segunda-feira, escancara um cenário que já se desenhava nos bastidores da Série A: o Campeonato Brasileiro mal começou e 25% dos clubes já trocaram de treinador. Com a saída do argentino, sobe para cinco o número de times que iniciaram a temporada com um comandante e agora buscam outro nome no mercado.
O movimento reforça a conhecida “dança das cadeiras” do futebol brasileiro, que não espera nem o fim dos estaduais para consumir novas vítimas. No recorte dos 20 integrantes da elite, um em cada quatro já recorreu à troca no comando técnico em 2026.
As outras trocas na Série A antes de Crespo
Antes do argentino, outros quatro técnicos já haviam sido desligados de seus clubes desde o início da temporada. O primeiro foi Sampaoli, que deixou o Atlético-MG em 12 de fevereiro, ainda no começo do Campeonato Mineiro. O desempenho irregular e a falta de identificação com o elenco pesaram para a saída precoce.
No dia 22 do mesmo mês, foi a vez de Fernando Diniz ser demitido do Vasco. Apesar do prestígio por títulos anteriores, a derrota no Campeonato Carioca acelerou sua saída de São Januário.
No Norte do país, Osório não resistiu à eliminação no Parazão. O treinador foi desligado do Remo após perder o primeiro jogo da final para o Paysandu, resultado que comprometeu as chances do título estadual.
O caso mais emblemático, no entanto, aconteceu no Flamengo. Filipe Luís foi demitido mesmo após golear o Madureira por 8 a 0 no Carioca. A decisão surpreendeu o mercado e escancarou os bastidores conturbados do clube carioca, onde os resultados positivos em campo não foram suficientes para manter o ex-lateral no cargo.
Por que Crespo caiu
O São Paulo não detalhou oficialmente os motivos da saída do argentino, mas bastidores indicam que o desgaste vinha se acumulando há meses. A primeira crise silenciosa aconteceu no início da gestão, quando Crespo declarou publicamente que o grande objetivo do clube na temporada era evitar o rebaixamento. A frase não caiu bem na diretoria e forçou Harry Massis a desmentir o treinador após a conquista da Copinha.
O estopim, porém, veio depois da eliminação no Paulistão. Crespo concedeu três dias de folga ao elenco e viajou para a Argentina. A diretoria entendeu que o momento pós-eliminação deveria ser aproveitado como intertemporada. Informações da ESPN dão conta de que o clube desconfia que o treinador comprou as passagens antes mesmo da partida contra o Palmeiras, o que teria sido interpretado como falta de confiança no grupo.
Crespo deixa o Morumbi com 21 vitórias, sete empates e 18 derrotas em 46 jogos. Foi oitavo colocado no Brasileirão do ano passado e caiu na semifinal do Paulistão em 2025. Seu principal título foi a conquista do Campeonato Paulista de 2021.
