
As principais torcidas organizadas de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo divulgaram, nesta quinta-feira (12), uma nota conjunta sobre os desafios da rodada de domingo no Campeonato Paulista. Pela primeira vez, os quatro grandes clubes do estado entram em campo no mesmo horário, o que exigiu um pacto inédito de deslocamento para evitar confrontos.
No comunicado, as torcidas informam que participaram, na véspera, de uma reunião no Ministério Público com representantes da Justiça, da Polícia Militar e do DRADE. O encontro tratou da operação de segurança para a rodada simultânea, definida pela Federação Paulista de Futebol (FPF), que ignorou alertas anteriores do MP sobre os riscos da medida.
Apesar de sustentar sua decisão com base em autonomia contratual, a FPF agora transfere à Polícia Militar e às torcidas a responsabilidade pela logística e pela prevenção de conflitos. Diante disso, as organizadas apresentaram um plano de ação próprio para orientar o deslocamento dos integrantes no domingo e minimizar riscos de encontros entre rivais.
Torcidas Organizadas podem se encontrar
A capital paulista receberá apenas o jogo do Palmeiras, no Allianz Parque. Já a torcida do Corinthians terá de se deslocar até São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. As demais torcidas também se deslocarão para cidades do interior ou litoral.
No documento, os grupos organizados aproveitam para retomar um tema caro: o retorno da torcida visitante aos estádios. Com a justificativa de que já existem tecnologias de monitoramento, como biometria facial e sistemas de reconhecimento, as entidades cobram o fim da torcida única nos clássicos.
“O encontro marcou o início de uma tratativa mais ampla e reforça a disposição das torcidas organizadas em dialogar, colaborar e cobrar responsabilidade das instituições que comandam o futebol paulista. Seguimos trabalhando e lutando pela volta das duas torcidas aos estádios”, diz trecho da nota.
A mobilização conjunta representa uma inflexão no discurso das organizadas, que buscam agora ocupar um lugar de interlocução institucional — ao mesmo tempo em que tentam reverter uma restrição vista como punição coletiva permanente.
